Retrospectiva de Lygia Clark exibirá obras inéditas

Nos diários e textos deixados por Lygia Clark (1920-1988), há uma série de projetos nunca realizados pela artista. Um deles é "Filme Sensorial", proposição, na década de 1960, de uma obra cinematográfica a ser feita não com o uso de imagens em película, mas apenas com os sons que narrariam cerca de 5 minutos dos movimentos mais banais da vida de uma pessoa anônima.

AE, Agência Estado

22 de agosto de 2012 | 10h06

Outro ainda, "O Homem no Centro dos Acontecimentos", não parece genial para os dias de hoje, mas concebido entre 1967 e 68 queria colocar a simultaneidade de visões de um mesmo fato por meio de um performer que pudesse registrar seu passeio utilizando-se de um capacete com quatro câmeras.

Tão celebrada criadora, no Brasil e no exterior, Lygia Clark é fundamental na historiografia brasileira. Fazer uma retrospectiva, hoje, de sua obra é um desafio depois de várias outras mostras já terem sido dedicadas a ela. Os curadores da exposição que o Itaú Cultural inaugura no dia 1.º de setembro como antologia da obra da artista teriam de se valer de um diferencial - no caso, do ineditismo, ainda, na produção de uma experimentadora.

"Não dá mais para reinventar a roda, essa seria uma outra oportunidade de ver uma retrospectiva de Lygia Clark agora", diz Felipe Scovino, de 34 anos, que assina a curadoria da exposição do Itaú Cultural ao lado do experiente Paulo Sergio Duarte.

A mostra, com cerca de 140 obras (entre elas, 45 réplicas manuseáveis de suas famosas e valiosas esculturas "Bichos" e de seus "Objetos Sensoriais") criadas pela artista desde suas pinturas da década de 1950 até seus mais radicais trabalhos participativos, que colocaram na vertente artística motivações de fundo psicanalítico e físico, tem também como destaque a produção de obras inéditas de Lygia relacionadas ao cinema e à arquitetura.

Os dois filmes já citados, além das criações com ímãs, como a instalação "Campo de Minas" e "Cintos Diálogos", ambos de 1967-68, foram produzidos pela primeira vez, seguindo as instruções escritas pela artista. Há também "Arquitetura Fantástica" (1960), em 3D, como a "Casa do Poeta" (1964) - projeto de residência com paredes móveis - e Maquete para Interior (1955).

O caráter inédito da atual retrospectiva, que reitera as "ideias visionárias" da artista, somente foi possível por meio da parceria realizada entre o Itaú Cultural e a Associação Cultural "O Mundo de Lygia Clark", presidida por seu filho, Álvaro Clark, e que tem projetos especiais dirigidos por sua neta, a designer Alessandra Clark. A exposição, que fica em cartaz até novembro, é um dos destaques das mostras paralelas na cidade durante a 30.ª Bienal de São Paulo, a ser inaugurada para o público em 7 de setembro. Antecede, também, a grande retrospectiva de Lygia Clark que o Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York vem preparando, com previsão de ser apresentada a partir de maio de 2014 na cidade americana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

LYGIA CLARK: UMA RETROSPECTIVA

Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149). Tel. (011) 2168-1776. 3ª a 6ª, 9 h/ 20 h; sáb. e dom., 11 h/ 20 h. Grátis. Até 11/11. Abertura dia 1º/9.

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