Luciana Prezia/AE
Luciana Prezia/AE

Retrospectiva 2011: As celebridades e as polêmicas do ano

Cinemas fecharam, médicos foram presos e personalidades devem ter se arrependido - e muito - pelo que disseram

Marcio Claesen, estadão.com.br

22 de dezembro de 2011 | 21h11

Se na política acusações de desvios ilícitos derrubaram ministros no País, no mundo artístico, o aviso que fica é: muito cuidado com o que você fala. Declarações controversas transformaram personalidades da moda, TV e cinema em personas non gratas em seus meios. As polêmicas do ano ainda envolveram acusações de plágio, julgamentos de estrelas - e de médicos destas - e brigas no palco. Confira os fatos mais marcantes que envolveram as celebridades em 2011.

Deputados x homofobia

Os políticos conseguiram polemizar muito além de suas searas. Em março, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), famoso por declarações homofóbicas, causou rebuliço em entrevista ao programa CQC, da Band. Perguntado pela cantora Preta Gil sobre o que faria se o filho se apaixonasse por uma negra, ele saiu com a resposta: "Ô Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu."

Foi aberto um processo disciplinar contra o deputado, que foi rejeitado, por 10 votos a 7, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. Na mesma semana, em junho, a deputada estadual Myriam Rios, mais conhecida como ex-musa de Roberto Carlos e atriz da Globo nos anos 1980, roubava-lhe o foco fazendo um discurso intrincado que soou como uma comparação de homossexualidade com pedofilia.

O amor a Hitler

Se as declarações dos parlamentares não passaram, até o momento, de repúdio de boa parte dos internautas nas redes sociais, o mesmo não aconteceu com quem resolveu brincar sobre sua admiração pelo nazismo.

 

Em fevereiro, caiu na rede um vídeo do estilista John Galliano, gravado no final de 2010 em um bar em Paris, proferindo insultos antissemitas a um grupo de turistas italianos e dizendo que amava Hitler. Não demorou para a maison Christian Dior demiti-lo e Galliano ganhar o repúdio de estrelas como a oscarizada Natalie Portman, judia e garota-propaganda de um perfume da marca.

Em setembro, o estilista foi julgado e multado em 6 mil euros, mas só precisará pagar a quantia se incorrer no mesmo erro novamente.

O dinamarquês Lars Von Trier parece ter um senso de humor bastante peculiar. Pelo menos foi o que ele tentou explicar depois de sua declaração desastrosa em uma coletiva de imprensa do filme Melancolia no último Festival de Cannes.

 

Sob a cara incrédula da estrela do longa, Kirsten Dunst, o cineasta disse que se identificava com Hitler e que tinha simpatia por ele. "Durante muito tempo pensei que fosse judeu e era feliz com isso. Aí conheci Susanne Bier (diretora e judia) e não fiquei tão contente. Então descobri que era nazista, que minha família era alemã. O que me deu muito prazer."

Os comentários resultaram em seu banimento do festival que o declarou persona non grata. Trier definiu o que foi dito como piada estúpida e pediu desculpas - a judeus e alemães. Entretanto, a Cannes ele não poderá mais voltar e dificilmente um outro grande festival o aceitará um dia.

O ocaso do Belas Artes

Se o diretor dinamarquês ficará sem os festivais, São Paulo perdeu uma importante sala de cinema. O Belas Artes, quase na esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista, após 68 anos de atividade cerrou as portas definitivamente em março. O canto do cisne foi divulgado no início de janeiro e, como não poderia deixar de ser, comoveu os cinéfilos da cidade.

 

O dono pediu um valor alto demais para a direção do cinema - comandada por André Sturm - para renovar o aluguel do prédio, o que tornou inviável manter o cinema. A sala exibiu só clássicos da sétima arte em suas últimas semanas.

Por meses, estendeu-se uma discussão sobre o tombamento do local Em novembro, o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) afirmou que o prédio poderia garantir um registro de memória (um livro, por exemplo), mas não ser tombado. A Justiça de São Paulo, entretanto, mandou reabrir os processos de tombamento em dezembro.

Audiências e sentenças

Se em 2009 o mundo ficou chocado com a partida de Michael Jackson, em 2011 acompanhamos os desdobramentos do processo que investigou a causa da morte do cantor. O médico Conrad Murray foi condenado por homicídio culposo à pena de quatro anos de prisão e considerado uma "ameaça pública" em declaração do juiz por ter administrado remédios que causaram a morte do pop star. Murray, que está preso, pediu um defensor público para trabalhar em sua apelação alegando que não pode pagar um advogado sozinho.

Lindsay Lohan foi outra que entrou e saiu bastante de salas de tribunais este ano. Por ter violado uma condicional - a atriz não fez trabalhos comunitários após ser condenada por furto - a loira recebeu a sentença de 30 dias de prisão. Lindsay se apresentou ao centro de detenção em Lynwood, no Estado da Califórnia, mas como este apresentava superlotação, a atriz foi liberada.

Todos os escândalos nos quais se envolveu nos últimos anos foram tema de uma entrevista de Lohan à revista Playboy norte-americana que acompanhava um ensaio da loira nua homenageando Marilyn Monroe. "Olhando para trás, provavelmente teria escutado e seguido os conselhos das pessoas que admiro. Minha teimosia dos 18 e 19 anos se colocou no meio."

A música brasileira no foco

No caldeirão das polêmicas musicais brasileiras, sobrou para todos os gêneros: MPB, rock, axé e até sertanejo se viram no foco de discussões na mídia e fora dela.

Em março, Maria Bethânia recebeu críticas por ter tido autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1,3 milhão pela Lei Rouanet para criar um blog de poesias. Seis meses e muitos insultos depois, a cantora desistiu do projeto.

A menção a Hitler não ficou restrita a celebridades internacionais. Criticada por ter sido escalada para o Rock in Rio 2011, a cantora Claudia Leitte postou em seu blog um texto no qual comparava roqueiros com o político austríaco. "Não gostar de axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhecer John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus." Claro, a resposta dos amantes de rock foi ainda menos favorável à cantora nas semanas seguintes.

Depois foi a vez dos sertanejos. Zezé di Camargo surpreendeu os fãs ao anunciar em pleno palco em Curitiba que a dupla com o irmão Luciano se encerraria nos próximos meses. No dia seguinte, Luciano foi internado em um hospital da região. "Misturei Rivotril com uísque" foi a explicação do cantor para a passagem pela UTI.

O vídeo com parte do discurso de Zezé correu a internet, mas os irmãos reafirmaram a parceria dias depois em entrevista ao Programa do Jô."Não vamos parar de jeito nenhum", afirmaram para a alegria dos amantes do sertanejo e horror do quem não tem afinidade com o gênero.

Festival sem polêmicas não é festival e o SWU, em Paulínia, interior de São Paulo, teve o Ultraje a Rigor e Peter Gabriel como os protagonistas desse tema. O show da banda de Roger atrasou duas horas por causa da forte chuva que caía no local. Os produtores de Peter Gabriel, segundo o músico paulista, pediram, então, que sua banda tocasse apenas por meia hora para não atrasar mais a apresentação do cantor de Sledgehammer.

Roger não concordou, subiu ao palco e um técnico de som da banda esbarrou em um equipamento de Gabriel. Como a situação entre as equipes já não era amistosa, técnicos de ambos os artistas acabaram trocando socos em pleno palco. Mais tarde, o cantor britânico ligou para o brasileiro pedindo desculpas pelo ocorrido e a paz voltou a reinar no mundo do rock. Por enquanto.

 

Plágios no mundo pop

Após inúmeros sucessos em 2009 e 2010 extraídos de seu primeiro álbum e de um EP, Lady Gaga começou o ano no foco com o aguardado lançamento de Born This Way. A faixa-título e primeira música de trabalho, no entanto, acabou sendo um alvo fácil. Não foi preciso mais que algumas horas após a canção cair na web para a cantora ser acusada de plágio por ter feito uma canção que se assemelhava muito a Express Yourself, hit de Madonna lançado em 1989.

Gaga se defendeu dizendo que a própria Blonde Ambition havia escrito um e-mail a ela elogiando a canção, o que foi desmentido pelos assessores de Madonna. Mas desmentidos também foram os comentários negativos que a Rainha do Pop teria feito sobre a autora de Born This Way. A quantas anda a relação das duas, só os maquiadores de ambas devem saber.

Além da gravidez, acusações de plágio foram os únicos fatos que chamaram atenção para Beyoncé, que lançou o álbum 4 e não emplacar nenhum hit nas paradas. A cantora foi procurada pelo advogado da companhia Rosas, dirigida pela coreógrafa Anne Teresa de Keersmaeker, e afirmou que o balé belga foi uma das inspirações para o clipe da canção Countdown. Na sequência, Beyoncé admitiu novamente ter usado referência de um clipe da boy band New Edition para fazer o vídeo de Love on Top, em meio a nova polêmica sobre cópias sem autorização.

Dois astros e uma série

Cansada dos intermináveis problemas com drogas e de críticas contra a produção do programa feitas pelo ator, a Warner demitiu, em março, Charlie Sheen, o astro da série mais vista nos Estados Unidos, Two and a Half Men. Em maio, foi anunciado o nome de Ashton Kutcher para substituí-lo.

A estreia da nona temporada, em setembro, teve 27,7 milhões de espectadores, a maior audiência da história do programa, que contou com cenas do ex-marido de Demi Moore sem roupa. Sheen não poderia ficar quieto, claro. Sobre Kutcher e o rumo da série, Sheen falou: "Ele está fazendo o melhor que pode. Eu não acho que o papel está amaldiçoado, mas estou muito decepcionado com a forma que eles estão lidando com o que eu deixei para trás".

A indigestão de Rafinha Bastos

Hors concours entre as celebridades nacionais quando o assunto é polêmica, Rafinha Bastos não poderia falta nessa retrospectiva. Em maio, o comediante deu declarações que faziam apologia ao estupro segundo o Ministério Público e foi convidado a depor dois meses depois.

"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia... Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço", ironizou Rafinha.

 

Eleito o usuário mais influente do mundo no Twitter pelo jornal The New York Times, Rafinha teve que pedir, constrangido, desculpas a Daniela Albuquerque, mulher de Amilcare Dallevo, dono da Rede TV!, por ter chamado a apresentadora de "cadela" durante o programa CQC.

Algumas semanas depois, no mesmo CQC, aconteceria o momento derradeiro da carreira do apresentador na atração da Band. Sobre a cantora Wanessa Camargo, que está grávida, Rafinha disse ao vivo: "eu comeria ela e o bebê".

A piada repercutiu durante semanas nas redes sociais e na mídia e o humorista foi suspenso. Criticado por outros integrantes da atração, o comediante chegou a pedir demissão do programa e continuou ironizando sua ausência da atração, sem se desculpar pelo comentário agressivo, como no vídeo em que aparece em uma churrascaria.

 

O cantor Lobão revelou no Twitter que será o novo apresentador de A Liga, outra atração de Rafinha Bastos na emissora. Há negociações para seu contrato ser rescindido na Band e Rafinha comandar uma atração em um canal voltado ao público masculino.

 

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