Retratos da vida

São Paulo e Rio abrigam a mostra de documentários É Tudo Verdade

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2010 | 00h00

Maior vitrine do documentário no País, o festival É Tudo Verdade inicia hoje sua 15ª edição em São Paulo. Amanhã, o evento decola no Rio e até domingo, dia 18, apresenta números superlativos. Serão 71 documentários de 27 países, 18 brasileiros inéditos e retrospectivas de importantes autores como Alain Cavalier e Benedito J. Duarte. Pelo 10.º ano, a Conferência Internacional do Documentário será realizada em São Paulo, tendo como tema o uso de materiais de arquivo na não ficção. É o que propõe Sylvio Back em O Contestado (foto), ao refazer sua ficção de 1970, A Guerra dos Pelados.

"Atingir 15 edições é uma marca e tanto", diz o criador do evento, Amir Labaki. Mas ele está preocupado, não propriamente com o sucesso da mostra. A situação calamitosa do Rio lança uma sombra sobre o que poderá ser o festival deste ano na cidade. O próprio Labaki não conseguiu viajar na terça-feira e passou o dia em São Paulo, dando entrevistas por telefone e acertando detalhes da programação carioca.

Nestes 15 anos, É Tudo Verdade contribuiu, e muito, para a consolidação da cultura do documentário no Brasil. Abriu-se um leque ? e o documentário engajado, de fundo social, que era uma herança do Cinema Novo e de alguns poucos pioneiros, passou a ser apenas uma das diversas manifestações do cinema de não ficção. O número de documentários brasileiros cresceu e a seleção de longas da competição brasileira ? são sete ? expõe a diversidade que faz hoje sua força.

O festival começa hoje em São Paulo, para convidados, com Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil, sobre o disputadíssimo encerramento, naquele ano, do 3.º Festival de Música da TV Record. Se o tempo colaborar, como se espera, os cariocas verão amanhã o novo José Padilha. Depois de Garapa, sobre o problema (tremendo) da fome, o diretor, que conclui atualmente a filmagem de Tropa de Elite 2, propõe agora Segredos da Tribo, que discute a atuação de cientistas sociais europeus e norte-americanos nos primeiros contatos com os ianomâmis da Venezuela, nas décadas de 1960 e 70. Retratos da vida? Sim, e é tudo verdade no maior evento de documentários do Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.