Retrato da obsessão de Clouzot

O Castelo do Medo

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2012 | 03h11

16H05 NA GLOBO

(The Boy Who Cried Werewolf). EUA, 2009. Direção de Eric Bross, com

Victoria Justice, Brooke Shields,

Brooke D'Orsay, Chase Ellison.

Uma família da Califórnia herda castelo na Romênia e isso é extremamente excitante para o filho mais novo, obcecado por monstros. E ele não irá se desapontar. Aventura juvenil sem grandes surpresas. Reprise, colorido, 90 min.

A Cidade Abaixo

22 H NA CULTURA

(Unter dir die Stadt). Alemanha,

França, 2010. Direção de Christoph Hochhäusler, com Nicolette Krebitz,

Robert Hunger-Bühler, Mark Waschke.

Um homem e uma mulher se encontram em uma galeria de arte e compartilham um momento fugaz de atração, mas nenhum deles toma iniciativa. Dias depois, os dois estranhos (ambos casados) se encontram por acaso, resolvem tomar um café juntos e brincam com o inexplicável fascínio que sentem um pelo outro. Filme da faixa que exibe obras da Mostra Internacional de Cinema. Reprise, colorido, 102 min.

TV PAGA

O Signo do Caos

18H45 NO CANAL BRASIL

Brasil, 2003. Direção de Rogério Sganzerla, com Otávio Terceiro, Sálvio do Prado, Camila Pitanga, Giovana Gold, Eduardo Gabus, Helena Ignez.

Chega à alfândega do Rio de Janeiro uma carga de material cinematográfico. Mas esse material somente poderá ser liberado depois da análise pelo serviço de censura do governo. O responsável por isso é o dr. Amnésio. Derradeiro filme de Rogério Sganzerla (1946-2004), também diretor de, entre outros, O Bandido da Luz Vermelha, Copacabana Mon Amour e A Mulher de Todos, o tema é um dos mais recorrentes de sua obra: a vinda de Orson Welles ao Brasil no início dos anos 1940, onde rodou, mas não terminou It's All True, um documentário a princípio concebido como parte da política da boa vizinhança de Roosevelt, durante a 2ª Guerra Mundial. Assim, em O

Signo do Caos, ele relembra essa história de maneira descontínua, fragmentada, como era seu estilo. Difícil para alguns, o longa, no entanto, não passa despercebido, especialmente por alguns dos mais belos planos do cinema brasileiro contemporâneo. Reprise, colorido, 80 min.

O Pagador de Promessas

22 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 1962. Direção de Anselmo

Duarte. Com Othon Bastos, Dionísio Azevedo, Antônio Pitanga, Geraldo

Del Rey, Glória Menezes, Leonardo Villar, Norma Bengell.

O único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro em Cannes. Esta bela história conta a saga de Zé do Burro (Leonardo Villar) e sua mulher Rosa (Glória). Eles vivem em uma pequena propriedade a 42 quilômetros de Salvador. Um dia, o burro de estimação de Zé é atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara para salvar o animal. Com o restabelecimento do bicho, Zé põe-se a cumprir a promessa e doa metade de seu sítio, para depois começar uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira. Mas a via-crúcis de Zé ainda se torna mais angustiante ao ver sua mulher se engraçar com o cafetão Bonitão (Del Rey) e ao encontrar resistência do padre Olavo (Dionísio Azevedo) a negar-lhe a entrada em sua igreja, alegando que Zé fez sua promessa em terreiro de umbanda. Reprise, preto e branco, 91 min.

O Inferno de Henri-Georges Clouzot

22 H NO TELECINE CULT

(L'Enfer D'Henri-Georges Clouzot). França, 2009. Direção de Ruxandra Medrea e Serge Bomberg.

Documentários sobre filmes inacabados ou não realizados sempre são interessantes - especialmente aqueles que pretendiam mudar a história do cinema. É o caso de O Inferno, que o francês Henri-Georges Clouzot (1907-1977) iniciou com Romy Schneider, em 1964. Era um projeto de alto orçamento sobre a história de ciúmes de um gerente de hotel na Provence (Serge Reggiani) por sua mulher (Romy). Foram três semanas tumultuadas de filmagem até o longa ser abandonado. O material gravado, boa parte inédito, serviu de base para este documentário. É impressionante a obsessão do cineasta que, movido por um generosíssimo orçamento vindo dos Estados Unidos pela Columbia Pictures, buscava formas originais de contar uma história, exercitando-se num tipo de experimentação que não fazia parte de sua trajetória no cinema até então - afinal, autor de pequenos clássicos como O Salário do Medo, ele, pré-nouvelle vague, era pouco afeito a novidades técnicas. Reprise, colorido e preto e branco, 94 min.

Luzes da Cidade

23H50 NO TELECINE CULT

(City Lights). EUA, 1931. Dirigido e

interpretado por Charles Chaplin,

com Virginia Cherrill.

Carlitos se apaixona por florista cega, a quem ajuda. Quando ela recupera a visão e o reencontra, surge uma das cenas mais belas da história do cinema. O cinema já falava quando o grande Chaplin fez a que não deixa de ser sua última comédia muda. E é uma das melhores, ao lado Em Busca do Ouro. Há cenas primorosas no humor, como a luta do boxe, ainda imbatível. Ou mesmo soluções geniais, como a encontrada por Chaplin para mostrar como o vagabundo conhece a moça cega - é preciso assistir para conferir a beleza do momento. Um dos grandes filmes de todos os tempos. Reprise, preto e branco, 88 min.

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