Retrato amplo da guerra

The Longest War é o mais completo relato do conflito entre EUA e Oriente Médio

MICHIKO KAKUTANI, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

Já existem dezenas de livros sobre a Al-Qaeda e o 11 de Setembro, as guerras no Afeganistão e Iraque, e a gestão da segurança nacional dos governos Bush e Obama. O que torna The Longest War, de Peter L. Bergen, particularmente útil é que ele oferece um apanhado sucinto e convincente desses temas, trabalhando sobre os esforços pioneiros de outros jornalistas e também sobre a própria experiência do autor em terrorismo e entrevistas com um amplo espectro de personagens.

Para leitores interessados num relato amplo e bem informado sobre a guerra ao terror, The Longest War é claramente esse livro essencial. Bergen, que fez parte da equipe da CNN que entrevistou Bin Laden em 1997, e publicou dois livros sobre o líder da Al-Qaeda, escreve com enorme autoridade. Ele proporciona ao leitor uma compreensão íntima de como a Al-Qaeda opera no dia a dia. E cria um retrato aguçado de Bin Laden que amplifica os que foram feitos antes.

Embora algumas conclusões de Bergen estejam fadadas à controvérsia, a lucidez, o conhecimento e a lógica cuidadosamente elaborada de seus argumentos conferem credibilidade e peso a suas avaliações, mesmo quando ele desafia a sabedoria convencional.

Sobre o assunto dos perigos colocados pelo Paquistão, Bergen diz que uma população em rápido crescimento combinada com desemprego alto dará vantagens aos militares, mas acrescenta que "a despeito de anos de análises histéricas de comentaristas nos EUA, com o surgimento do governo Obama o Paquistão não está propenso a uma tomada islâmica de poder semelhante à que ocorreu no Irã do xá".

Bergen também contesta paralelos traçados entre as experiências dos EUA e da União Soviética no Afeganistão. Ele sustenta que não há uma analogia real já que "os soviéticos empregavam uma política de terra arrasada", havendo matado "mais de um milhão de afegãos e obrigado outros cinco milhões, aproximadamente, a fugirem do país", ao passo que as tropas americanas foram necessárias - e desejadas pelo povo afegão - para proteger o país contra o Taleban e "ajudar a criar um país mais seguro e próspero".

As seções do livro sobre o 11 de Setembro, a guerra no Iraque e a continuação da guerra ao terror reconstituem vários terrenos cobertos pelo trabalho importante de outros jornalistas, mais especialmente Thomas Rick, autor do livro Fiasco; Bob Woodward, do jornal The Washington Post; e Jane Mayer, Seymour H. Hersh e George Packer da revista The New Yorker. Esses capítulos de Bergen oferecem um incriminação absolutamente devastadora do governo Bush em todos os níveis.

TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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