Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Retorno dos jovens à prática de esportes deve ser controlado, diz especialista

Cuidados deverão se reforçados nas modalidades de esportes coletivos

Korin B. Hudson, The Washington Post

06 de agosto de 2020 | 05h00

Depois de meses ficando presos em casa, mães como eu estão ansiosas para lançar nossos filhos de volta aos esportes, sabendo que são uma parte importante da saúde e bem-estar. No entanto, compreensivelmente, nos perguntamos se é seguro para eles voltarem a pegar suas bolas e tacos durante esse tempo incerto. 

Como médica de medicina esportiva, minha resposta foi afirmativa para meus filhos e nossa família, mas com algumas ressalvas. Não há como voltar a participar de uma equipe esportiva completamente livre de riscos, mas podemos nos concentrar em reduzir os perigos o máximo que pudermos. Existem etapas simples e responsáveis que pais, atletas e equipes podem adotar para minimizar o risco de infecção e ajudar as crianças a voltar com segurança aos esportes que amam. São três fatos: moderar riscos, identificar casos e treinar com segurança.

Riscos moderados significam seguir as diretrizes locais para reuniões com base na prevalência do novo coronavírus, usar máscaras e revestimentos faciais sempre que possível e empregar o distanciamento físico o máximo possível. Isso também significa que os pais não devem planejar assistir às práticas em grupos e as equipes não devem jantar juntas após as práticas. Esses pequenos compromissos podem ter um grande efeito na limitação da exposição potencial se alguém descobrir mais tarde que está com o vírus.

Pais e treinadores precisarão trabalhar juntos para estabelecer expectativas e se comprometerem a garantir que todos os envolvidos (atletas, pais e treinadores) minimizem o risco de disseminação do vírus. Isso exige que todos confiem e se respeitem, mesmo que alguém decida não participar.

Como parte desse contrato social, nenhum jogador deve participar se ele ou alguém em sua casa estiver se sentindo mal – e todo membro da equipe deve informar se esse jogador ou alguém da família apresentar um resultado positivo. Os treinadores também podem desempenhar um importante papel. Eles não precisam confiar em uma lista de verificação elaborada, mas podem simplesmente fazer as mesmas duas perguntas principais no início de cada prática: Você se sente bem hoje? Você já esteve em contato próximo com alguém que está doente?

O rastreamento de casos começa quando qualquer atleta, treinador ou membro da família for diagnosticado como positivo para o coronavírus. Todo time, clube e liga devem ter um plano para o que acontecer em seguida. Os departamentos de saúde locais podem ser úteis na execução desse plano, mantendo a privacidade. Aqueles em contato próximo com indivíduos afetados, conforme definido pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, devem ser notificados para que possam ser colocados em quarentena de acordo com as diretrizes atuais. Gritar e respirar pesadamente enquanto se pratica esportes pode alterar as distâncias que seriam qualificadas como “contato próximo”. Mas, se as pessoas estão usando coberturas faciais e praticando distanciamento físico, as implicações para outros membros do grupo devem ser mínimas. As equipes devem estar preparadas, no entanto, para colocar em quarentena quem atingir a definição de ter sido exposto.

Finalmente, também devemos garantir que nossos filhos estejam treinando com segurança. Voltar a praticar esportes não é como apertar um botão. Depois de algum tempo fora do campo – mesmo que sejam só duas semanas –, podemos ver um aumento dos riscos de ferimentos e doenças causadas pelo calor. Para impedir que isso aconteça, devemos incentivar nossos filhos a se concentrar no condicionamento e no aprimoramento das habilidades individuais enquanto aumentam gradualmente a complexidade, a duração e a intensidade dos exercícios. Provavelmente, levará seis semanas ou mais para que eles atinjam seus níveis de condicionamento físico anteriores.

Ainda assim, as crianças não precisam de competições, torneios ou arquibancadas lotadas de fãs para colher os benefícios dos esportes e exercícios. Sabemos que o esporte ajuda nossos filhos no desenvolvimento social, ensinando o trabalho em equipe, a resiliência e o valor do trabalho duro e sustentado. Ao permitir que nossos filhos voltem ao esporte, mesmo de forma limitada, para condicionamento e treinamento em pequenos grupos, eles podem encontrar novamente a alegria e o valor do exercício.

*KORIN B. HUDSON É MÉDICA ESPECIALIZADA EM MEDICINA ESPORTIVA

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