Sylvia Masini/Divulgação
Sylvia Masini/Divulgação

Retorno ao Paraíso

Balé da Cidade retoma produções estrangeiras com coreografia do grego Andonis Foniadakis

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2011 | 00h00

O Balé da Cidade ensaia sua volta por cima. Na hora de discorrer sobre Paraíso Perdido, nova coreografia da companhia, a diretora Lara Pinheiro evita falar em recomeço. Tampouco usa o termo virada. Mas acredita que o grupo, criado em 1968, vive hoje um "momento simbólico".

Depois de atravessar uma recente turbulência - que incluiu corte de verbas, poucas estreias e troca de gestão -, o Balé parece voltar ao prumo e recupera sua tradição de trabalhar ao lado de coreógrafos estrangeiros. A última produção internacional datava de 2008, quando o conjunto dançou Canela Fina, do espanhol Cayetano Soto.

Com estreia marcada para hoje, no Sesc Vila Mariana, Paraíso Perdido é uma criação inédita do grego Andonis Foniadakis. Coreógrafo a despontar na cena internacional, Foniadakis já assinou peças para companhias do porte do Balé da Ópera de Lyon e do Ballet du Grand Théâtre de Genève.

No Brasil, chegou a trabalhar com a Sociedade Masculina, em 2007. E, de acordo com ele, desde essa ocasião tem vontade de coreografar para o Balé da Cidade. "Vi dançarinos muito poderosos, com uma energia e uma vivacidade únicas", diz o coreógrafo.

O perturbador universo de Hieronymus Bosch embasou Foniadakis. Das telas do pintor holandês emerge, quase invariavelmente, um mundo putrefato. Território em que a sacralidade convive com a degradação, onde monstros e santos compartilham um mesmo lugar.

"Eu me dei conta de que essa combinação, entre algo que é ao mesmo tempo espiritual e erótico, tinha muito a ver com o meu estilo", comenta o artista grego, que trabalhou a partir da trilha sonora original de Julien Tarride.

Segundo Foniadakis, a convivência com o conjunto paulistano também significou a possibilidade de compor espetáculos para grandes conjuntos. "Na Europa, é raro que coreógrafos jovens tenham a oportunidade de fazer algo desse porte." Nessa coreografia, o Balé da Cidade leva ao palco 34 bailarinos. Marcada para julho, a próxima estreia da companhia deve seguir em direção contrária. Serão duas peças, ambas com poucos dançarinos em cena, concebidas pela própria Lara Pinheiro e pelo português André Mesquita.

Para a diretora, o trunfo maior de Paraíso Perdido reside, sobretudo, na singularidade da assinatura estética de Foniadakis. Com movimentos intensos e lampejos de um "novo barroco", o coreógrafo assume uma declarada recusa a qualquer formalismo. "É um trabalho que transcende a técnica", acredita Lara. "Ele não permite nunca que o bailarino se acomode em uma zona de conforto, está sempre forçando-o a ir além."

BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO

Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3000. 5ª a sáb., 21 h; dom., 18 h. R$ 24. Até 8/5.

QUEM É

ANDONIS FONIADAKIS

COREÓGRAFO GREGO

Nascido ao sul da Ilha de Creta, Grécia, estudou dança na Suíça, na escola Rudra-Bejárt Lausanne. Começou sua atuação como bailarino, dançando sob a direção de nomes como Maurice Béjart. Em 2003, criou a cia. Apotosoma. Como coreógrafo independente, já criou peças para grupos como o Ballet du Grand Théâtre de Genève e o Balé da Ópera de Lyon.

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