Scott Green/Divulgação
Scott Green/Divulgação

Retorno ao legado do Joy Division

Peter Hook toca álbum-chave do trágico grupo do pós-punk em show no Estudio Emme, em SP

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

Ambos são baixistas britânicos históricos, um do punk, outro do pós-punk, e ambos são DJs nas horas vagas. O primeiro está na contracapa deste caderno, o lendário Glen Matlock. E aqui temos o não menos lendário Peter Hook, 55 anos, força motriz de duas bandas fundamentais da História, o Joy Division e seu sucedâneo, o New Order.

Só que Hook, desta vez, não vem para tocar discos. Ele vem com uma banda, The Light, e com um projeto ousado, capaz de encher de esperança o coração dos joydivisionmaníacos: vai tocar inteirinho no Studio Emme, dias 16 e 17, o disco Unknown Pleasures (1979), aquele álbum que levou a imprensa especializada britânica a cunhar o termo "pós-punk" para definir o espírito de uma época.

É provável também que Hook cante clássicos do grupo, como Love Will Tear Us Apart. Ele está acompanhado de Nat Wason (guitarra), Andy Pool (teclado), Paul Kehoe (bateria) e Jack Bates (baixo).

Você agora está cantando, coisa que não fez nos últimos 30 anos.

Sim, isso levou muito tempo. Demorei muito para chegar até aqui, e confesso que cheguei bem nervoso. Foi dureza memorizar todas as letras; embora eu as conhecesse tão bem, cantar é outra coisa. Mas agora estou confiante, achei meu tom, meu lugar. Cantar foi ficando mais fácil e mais divertido à medida que a coisa se desenrolava. Tinha dúvidas se era possível, porque eu toquei o baixo na história do Joy Division, e não dava para cantar e tocar o baixo da mesma forma. Mas, com sorte, achei a solução em casa. Meu filho, Jack, toca baixo, e encaixou perfeitamente.

Em algumas faixas do disco que você está lançando, há uma cantora também, Rowetta.

Sim. Rowetta é muito amiga minha. Quando imaginei esse projeto, andei buscando cantores homens. Abordei muitos caras em Manchester, mas todos eles pareciam estar emulando Ian Curtis. Rowetta, que cantou numa banda que admiro, Happy Mondays, foi quem deu conta do recado. Ela é mais homem do que muitos dos que estão por aí. Tem o espírito que eu buscava.

Por que você escolheu Unknown Pleasures, e não Closer (1980), por exemplo?

Nós tocamos Closer na semana passada também. O lance com Unknown Pleasures começou no ano passado, quando foi organizado um tributo a Ian Curtis por conta dos 30 anos da morte dele. Para um tributo, nada melhor do que tocar o primeiro álbum do artista. Eu estava envolvido com isso, e achei ridículo patrulhar a mim mesmo a respeito de um legado que também é meu. Houve muitas críticas em relação ao que eu pretendia, que era tocar o disco inteiro com uma banda no meu próprio clube. Mas eu fui adiante, não há culpa envolvida nisso. Não é cópia, sou eu tocando minhas próprias músicas aos 55 anos. As reações da plateia têm sido incríveis, já vi gente às lágrimas nas primeiras fileiras.

O seu clube ainda é o Hacienda?

Não, The Hacienda já fechou há uns 15 anos. O novo clube se chama The Factory, também em Manchester. Foi aberto no ano passado, e tem esse nome porque está localizado no escritório que pertenceu à gravadora The Factory, de Tony Wilson, a mesma que lançou os discos do Joy Division.

De qualquer modo, você agora está lançando um disco com a gravação desse show ao vivo de Unknown Pleasures, não?

Um amigo meu, que vive na Austrália, gravou o show e me deu o tape. Ele fez um trabalho fantástico, foi muito bem gravado. Mas aí aconteceu aquela tragédia em Brisbane (enchentes deixaram milhares de desabrigados e muitas vítimas na cidade australiana, em janeiro), e nós resolvemos lançar esse disco para ajudar. Todos os lucros da venda dele vão reverter para as vítimas.

Como está sua relação com Bernard Sumner (cantor, parceiro no Joy Division e depois no New Order).

Abominável! Ele me odeia e eu o odeio na mesma proporção.

Unknown Pleasures foi rotulado pela imprensa britânica, após seu lançamento, como "pós-punk". Isso faz sentido para você?

É só um nome. Jornalistas como você precisam disso para se orientar. Mas não significa muito para mim, a não ser pelo fato de que é um disco que veio depois do momento histórico do punk, em 1978.

 

The Light - 16 e 17 de junho, às 21h no Estúdio Emme (R. Pedroso de Moraes, 1036, Pinheiros). R$ 80 (1º lote); R$ 100 (2º lote), R$ 150 (3º lote) e camarote (preço único, R$ 300). Ingressos à venda na bilheteria do Estúdio Emme, lojas Emme (Shopping Ibirapuera, Iguatemi, Market Place e Butantã) e lojas Accessorize: Shopping Iguatemi, Shopping Pátio Higienópolis e Jardins. Informações: (11) 2626 - 5835

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