Werther Santana/AE
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Retoques Finais

Inauguração da sede ampliada do MAC-USP vem sendo adiada desde 2009

Camila Molina - O Estado de S.Paulo,

17 de maio de 2011 | 06h00

Há mais de 15 anos o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (USP) demanda uma sede à altura de seu acervo, com 9.512 obras. Mas foi apenas em 2008 que a Secretaria de Estado da Cultura cedeu a antiga sede do Detran, em frente do Parque do Ibirapuera, para que o grande complexo, com um prédio principal de 27 mil m² e ainda um anexo, pudesse abrigar o museu.

Inicialmente, ficou determinado que o MAC seria inaugurado no fim de 2009, mas, desde então sua abertura para o público vem sendo adiada, por conta de atrasos na reforma do imóvel. A previsão mais recente é a de que no segundo semestre de 2011, entre setembro e outubro, a nova sede do museu esteja liberada.

"É compreensível um atraso ou outro", diz o diretor do MAC-USP, Tadeu Chiarelli, que pretendia inaugurar a nova sede da instituição em dezembro do ano passado. "Reforma de prédio tombado é quase impossível prever (o término). Esse edifício, que é o principal, onde estarão as obras (do museu), deve ser entregue até o fim de maio", diz o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, que acompanhou o Estado em uma visita ao edifício, projetado em 1951 por Oscar Niemeyer para ser o Pavilhão da Agricultura no Conjunto Arquitetônico do Ibirapuera.

A Secretaria de Estado da Cultura ficou responsável pela reforma do prédio, tombado pelo Conpresp e Condephaat - o Iphan ainda estuda seu tombamento. O governo de São Paulo gastou R$ 76 milhões nas obras para transformação da ex-sede do Detran em espaço museológico, com área total de 37 mil m². O prédio principal terá seis andares expositivos. E o anexo servirá para abrigar mostras e reserva técnica, prédio administrativo (construído) e jardim de esculturas.

Entraves contribuíram para a demora da reforma do edifício. No início do processo, Niemeyer foi convidado a fazer o projeto de reformulação do espaço, mas seu plano arquitetônico - considerado caro - não foi aprovado pelo Conpresp por propor uma mudança da fachada do local e instalação de escadas de emergência nas laterais do edifício. A reforma, então, ficou a cargo da Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS) do governo estadual, sob a responsabilidade da arquiteta Valéria Rossi. Além de problemas estruturais normais de uma reforma, justamente a definição da localização de duas escadas de emergência, que implicava em alteração no plano inicial, foi demorada - elas ficam agora na parte de trás do prédio.

Mas há outra questão que ainda não está totalmente firmada. Para a abertura definitiva do museu, com série de exposições, Chiarelli afirma que é necessário fazer antes testes no prédio até ele receber as obras do acervo. Entretanto, segundo o diretor da instituição, não basta apenas a entrega do edifício reformado para a transferência. "Existe um processo a ser levado adiante. Uma coisa é o término da reforma e outra é a entrega oficial do prédio", diz.

Segundo Matarazzo, apenas em dezembro de 2010 foi formalizado o acordo entre a Secretaria de Estado da Cultura e a USP para a realização da sede do museu. "A parceria é tão afinada que a formalidade é menos importante. Até outro dia, não havia nenhum papel assinado entre as instituições e, no entanto, o prédio vem sendo feito e eles (MAC) estão participando das discussões", informa o secretário. "A passagem legal do edifício da secretaria para a USP é elemento fundamental para o MAC entrar no prédio", afirma Chiarelli. "O conselho do museu tem isso claro."

Matarazzo também rebate que os atrasos na reforma tenham ocorrido por falta de liberação de recursos. "Temos o orçamento de cerca de R$1 bilhão, quase o equivalente ao do Ministério da Cultura." Ele também conta que está nos planos da secretaria fazer convênio com a USP para destinar, anualmente, R$ 10 milhões para o MAC fazer exposições e adquirir obras - e, para isso, o órgão do Estado planeja entrar no conselho do museu.

Para se ter uma ideia, o MAC tem para 2011, pela USP, orçamento de R$ 2 milhões. Instituído em 1963, quando Ciccillo Matarazzo decidiu transferir sua coleção para o recém-criado museu, a instituição, atualmente, tem prédio exíguo no câmpus da USP e área no edifício da Bienal (que será desativada). Com a nova sede, em endereço mais acessível, o MAC terá de ampliar sua estrutura.

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