Restauro da Matriz de São Vicente depende do Iphan

Dinheiro para iniciar as obras já existe e está depositado na Agência de São Vicente da Caixa Econômica Estadual. Mas, os empecilhos para a prefeitura executar o restauro da secular IgrejaMatriz de São Vicente Mártir, em São Vicente, são muitos e capazes de demorar bastante para serem eliminados.Eles vão desde a exigência do vigário geral da Cúria Diocesana de Santos, padre Antônio Baldan, de apresentação de uma ordem do Conselhode Defesa do Patrimônio Histórico,Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado para que os trabalhos sejam realizados, até a aprovação peloInstituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) de um novo projeto de restauro elaborado pelos técnicos do Condephaat, após oincêndio registrado em setembro, do ano passado, que danificou, ainda mais o templo.Entretanto, essa aprovação depende ainda do Condephaat conseguir marcar uma reunião com o Iphan, para a apresentação do projeto, o queórgão vem tentando, há algum tempo, sem êxito. Pelo prefeito Márcio França (PSB), as obras teriam iniciado na quarta-feira passada, quando uma equipe de funcionários da Companhia de Desenvolvimento São Vicente, esteve no local, para observar o telhado da matriz, por onde as obrascomeçariam. Mas o vigário da Diocese impediu o início do trabalho.O presidente do Condephaat, José Roberto Melhem, explica que agora não pode autorizar a execução do restauro, sem a aprovação prévia do projeto pelo Iphan, uma vez que a decisão daquele órgão, que énacional, prevalece sobre a do Condephaat. "Se as obras tivessem sido realizadas dentro do prazo previsto no contrato celebrado entre a prefeitura de São Vicente e a Secretaria Estadual de Cultura, em julho de 2000, não haveria necessidade de autorização do Condephaat, porque o contrato já era uma ordem expressa", enfatizou Melhem.Segundo disse, pelo acordo assinado entre a Secretaria de Cultura do Estado e a prefeitura de São Vicente, os trabalhos deveriam ser iniciados até 10 dias após o recebimento de parte da verba de R$ 140 mil. "Eles ficaram parados durante dois meses e em setembro aconteceu o incêndio", denunciou Melhem.Como consequência, o trabalho de restauro vai ser outro. Diante do sinistro, os técnicos do Condephaat foram até São Vicente reelaboraram o projeto e desde novembro, o órgão vem tentandosubmetê-lo ao Iphan, sem que tivesse conseguido o intento. "Talvez o superintendente em exercício, José Saia, não tenha marcado ainda a reunião com os técnicos para esperar que Roberto Saruê reassuma o cargo", disse Melhem. Saruê está de licença médica, desde dezembro do ano passado.De acordo com Melhem, do ponto de vista do Condephaat, a restauração da Igreja Matriz de São Vicente tem um contrato que previa a realização desse trabalho em duas etapas, e que, agora, não pode ser cumprido até o fim. "Assim, de o Iphan aprovar o projeto, vamos fazer um termo de aditamento ao contrato dizendo que houve a interveniência do sinistro e que necessita de outro orçamento. Agora vai ter que mexer em tudo".O presidente do Condephaat entende que o Iphan também deve arcar com parte dos custos, porque a Igreja de São Vicente Mártir é considerada patrimônio nacional por aquele órgão e, por isso "precisa ajudar a pagar a obra". O superintendente interino do Iphan, José Saia, não foi encontrado para falar sobre o caso.O prefeito Márcio França, que já recebeu R$ 56 mil referentes a primeira parcela do contrato, cujo valor inicial é de R$ 140 mil, garante que o dinheiro está depositado na Caixa e que as obras não foram iniciadas de imediato, porque houve um ruído de informação. "Estava aguardando a autorização do Condephaat". Histórico - A Igreja Matriz de São Vicente Mártir foi interditada preventivamente, em 99, devido a uma infestação de cupins no madeiramedo telhado, que poderia colocar em risco a vida dos frequentadores.Durante as comemorações dos 500 anos do Brasil, o governador Mário Covas prometeu encaminhar verbas para as obras emergenciais e o restauro do templo, que resultou no convênio assinado com a prefeitura. Entretanto nada foi feito. E, em setembro de 2000 um incêndio destruiu o altar mór e o madeiramento da Igreja.A Matriz foi construída por Martim Afonso de Souza em 1532, sendo destruída por um maremoto. Em 1542 foi reerguida pelo povo e pela Câmara local. Mais tarde, sofreu ataques de piratas e em 1757 foireconstruída sobre as ruínas, na Praça João Pessoa, onde permanece até hoje.

Agencia Estado,

16 de fevereiro de 2001 | 17h52

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.