Restaurantes festejam o dia do macarrão

O mundo comemora hoje o dia do macarrão. A data, meio bizarra em princípio, não tem nada a ver com as andanças de Marco Polo pela China. A escolha foi determinada bem recentemente, no 1º Congresso Mundial de Pasta, em 1995, onde o macarrão foi mostrado como um produto amplamente consumido e adorado em todo o mundo. Para celebrar, alguns restaurantes da cidade oferecem várias opções e promoções aos clientes. Entre eles, Canttonne, Gioco de Mani e Bellalluna oferecem uma taça de vinho para acompanhar os pratos quaglie com fettuccine (codorna assada puxada no próprio molho, guarnecida com fettuccine em manteiga de ervas, R$ 20,90), filletto e gonchi (peças finas de filé grelhadas, acompanhadas de nhoque ao sugo, R$ 21,70) e spaghetti ai gamberi i zuchini (com molho a base de açafrão e creme de leite, com cubos de camarão e tirinhas de abobrinha, R$ 23,90). Mas as comemorações não param por aí. "Ôxente, o macarrão é uma tradição na Bahia, negona!", ri a chef Dadá. "Lá se come espaguete com galinha, arroz e feijoada aos domingos. E a gente ainda joga uma farinha de mandioca por cima. É como se fosse o queijo ralado dos paulistas." Dadá e outros 11 grandes chefes de cozinha do Brasil vão mostrar o que essa massa tem no 4.º Macarrão Gourmet Fashion, que acontecerá hoje à noite para convidados no restaurante O Leopolldo, em São Paulo. Para atender o grande público, cada chefe incluirá os respectivos pratos no cardápio de seu restaurante até o dia primeiro. Marco Polo - A festa é uma iniciativa da Abima (Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias) que, por meio das empresas associadas, promoverá a doação de 11 toneladas do produto para casas beneficentes de vários estados. Enquanto a instituição faz a caridade, os 500 convidados se deliciam. No cardápio, os chefes apresentarão pratos exclusivos, desde as entradas até as sobremesas. Todos, é claro, estrelados pela massa. "Com o macarrão cabelo de anjo, vou fazer a sobremesa", anuncia Gislaine Oliveira, banqueteira. "Ao receber essa tarefa, fiquei um pouco triste porque as pessoas normalmente estranham comer essa massa doce. Mas depois percebi que era um desafio e criei Apassionata", diz. Batizado com o nome italiano, a sobremesa nada mais é do que uma mistura de delícias brasileiras: brigadeiros, beijinhos, doce de leite e banana com calda de goiaba e hortelã. O macarrão, esmigalhado, entra no lugar do chocolate granulado. Alessandro Segato, chefe do restaurante La Risoteria, oferece uma entrada mais tradicional, a começar do nome: farfalloni con verdurini alla brace, rúcula e parmegiano crocante. Traduzindo, gravatinhas com legumes na brasa, rúcula e crocante de parmesão. No evento, Dadá promete amenizar o trato dos baianos com o macarrão. "Vou fazer uma receita antiga, que só faço em ocasiões especiais. No restaurante não a ofereço normalmente porque é um prato muito caro. É um talharim com molho de camarão, catupiry, abacaxi, além de leite e lascas de coco". Quem não foi convidado para o evento e nem quer desembolsar grandes quantias em restaurantes, também pode comemorar o dia do macarrão sem sair de casa. Uma opção é o livro recém-lançado Italianos à Mesa - Uma viagem gastronômica através da Itália (Ed. Nova Alexandria) do professor Paulo Vizioli. Tendo o macarrão como protagonista, a obra apresenta um panorama completo e detalhado da culinária italiana, com mais de cem receitas e histórias de pratos típicos de cada região do país.Ninguém sabe ao certo qual a origem do macarrão. Uma das teorias mais difundidas diz que a palavra "macarrão" viria do grego "makària", ao pé da letra, caldo de carne enriquecido por pelotinhas de farinha de trigo e por cereais. Definição dada por volta do ano 2.500 a.C. Com o passar dos séculos, a receita foi se modificando até que os sicilianos inventaram o "maccaruni" (trigo moído com água fresca) por volta do ano 1.100 d.C.Com essa história, cai por terra a teoria de que Marco Polo teria trazido o macarrão da China. Especialistas afirmam que na versão original do livro Il Millione, em que o aventureiro relata suas viagens pelo mundo, não há a menor referência ao trigo. A tal "descoberta" de Polo não passaria de uma invenção do editor Giambattista Ramusio, que nas versões posteriores da obra transformou em chinês um produto legitimamente italiano. Gioco di Mani (Av. Giovani Gronchi, 3399, tel. 3744-7666). Canttone (R. Horácio Lafer, 491, tel. 3168-7166). Bellalluna (R. Inhambu, 1318, tel. 5041-3939).

Agencia Estado,

25 de outubro de 2001 | 13h19

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