Restaurantes de SP buscam alternativas aos 10%

Gostando ou não do atendimento de maîtres e garçons, quase sempre os famosos 10% estão lá, engrossando a conta da refeição. Apesar de não ser obrigatória, a taxa de serviço é paga na maioria dos restaurantes de São Paulo. Mas já deixou de ser uma prática unânime. Várias casas vêm mudando essa política, com o intuito de estimular seus garçons. Almanara e Dinho´s Place, por exemplo, já adotam esse esquema: a caixinha fica a cargo do cliente. Outro restaurante que tomou caminho semelhante recentemente foi o Pomodori. Segundo Rodrigo Martins, um dos donos e chefes de cozinha, a inspiração veio de uma viagem à Europa. "Lá, o serviço não vem incluído", diz. Ele montou um esquema pelo qual o restaurante dá 5% de seu faturamento aos garçons. Os outros 5% fica por conta de sua capacidade em oferecer um bom atendimento ao cliente.O Sindicato dos Empregados em Hotéis, Bares e Restaurantes de São Paulo é contra a idéia. Para o presidente da entidade, Francisco Calazans, a taxa deveria ser obrigatória por lei. Leia a entrevista de Calazans abaixo. O que o senhor acha de não incluir a taxa de serviço na conta? Somos contra, achamos que a taxa deveria ser incluída por força de lei. Hoje, ela é uma prática, não uma obrigação. Os salários no nosso meio são muito baixos. O trabalhador depende da caixinha e os patrões acenam com essa possibilidade. Se não houver nem a garantia dos 10%, complica. Mas em lugares que deixam a gratificação por conta do cliente as caixinhas têm superado os 10%. Se vários colegas estão se dando bem, a gente tem que ouvir o que eles têm a dizer. Nossa posição é clara mas não é fechada. Estamos abertos a discutir. E se o serviço é ruim? Acha justo pagar obrigatoriamente e ser mal-atendido? Acho que a lei deve contemplar os direitos do consumidor. Se ele julga que o serviço não foi bom, tem que ser respeitado. E os restaurantes, antes de tudo, deveriam informar se cobram serviço ou não.

Agencia Estado,

27 de fevereiro de 2004 | 16h10

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