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Fábio Porchat
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Restaurantes

Eu já falei aqui algumas vezes que comer é um dos meus hobbies. Quando como mal, chego a ficar irritado. Acho que é um pedacinho da minha vida que foi usado em vão. E comer bem não é pagar muito, claro. Um dogão no estádio com purê, milho, ervilha e batata palha pode ser muito melhor do que uma macarronada. Por conta disso, gosto de ir a vários restaurantes e experimentar de tudo. E gostaria de recomendar dois lugares aqui em SP. O primeiro é o melhor restaurante japonês do Brasil. (E olha que hoje, no Brasil, existem mais restaurantes japoneses do que churrascarias.) 

Fábio Porchat, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2015 | 02h00

O Minato Izakaya, ali na Rua dos Pinheiros, é muito particular. É uma espécie de bar, você senta no balcão, são poucos lugares e os chefs preparam tudo ali, rapidinho. Peixes frescos, mas muito diferentes em sabor do que você está acostumado a comer. São peixes de verdade, não aquilo que se costuma servir em restaurantes japoneses. Aquele salmão triste, quase bege. O atum marrom, praticamente. Não, ali no Minato os peixes brilham, são coloridos, enfim, são peixes. 

Já fui ao Japão duas vezes e na primeira abocanhada no sushi do Minato pensei: já posso dizer que fui três. O sabor é igual ao de lá. Uma variedade de saquês sensacional e um clima intimista transformam seu jantar em uma experiência. Imperdível. E, se puder, puxe papo com o dono do lugar, o gente boa Fabinho. Um figura muito interessante, maluco e divertido que se dedica ao lugar com unhas e dentes. Eu me dediquei ali mais com os dentes mesmo. 

O outro restaurante é um indiano. Tandoor, no Paraíso. Curioso aqui no Brasil não termos tantos restaurantes voltados para a culinária indiana. Eu mesmo nunca havia ido a nenhum específico. Como vou passar 20 dias na Índia, resolvi já ir me familiarizando. Se a comida de lá for metade da de cá, eu talvez não volte mais. Os pratos muito saborosos e com os mais variados temperos. Todos feitos de maneira típica. O dono do lugar, Lakhi (há 23 anos ali) é um indiano simpaticíssimo, que ama a Índia e isso fica visível a cada garfada. Vale a pena pedir para ele e a mulher contarem curiosidades e detalhes do país natal. Pude conhecer a cozinha e ver como os pães são feitos no fogão típico (que se chama, olha só, tandoor). E que pães. Eu não sei vocês, mas poderia passar o resto da minha vida comendo só pão. Lá são muitas opções de pães. Todos ótimos! Lentilha, frango, peixe, curry, cordeiro, tudo vai descendo tão suave. Claro que pedi para me pouparem da pimenta. E deu certo! As sobremesas indianas são ótimas, o que nunca tinha ouvido falar. Um bolinho embebido em leite com calda de mel, meu Deus. 

Como é bom quando você usa o serviço de alguém que faz aquilo com paixão. Que dedica sua vida àquilo. É tão diferente. Tanto para o Fabinho quanto para o Lakhi fazer aquilo é uma declaração de amor ao país deles e, por isso, o resultado é tão marcante. Comida é memória e deles dois não vou me esquecer tão cedo.


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