Restaurador pode ter achado escultura de Aleijadinho

Quando buscava peças antigas no acervo de um antiquário, em Belo Horizonte, o restaurador José Marcelo Galvão de Souza Lima, de Itu, teve sua atenção despertada por uma escultura de madeira, com 80 centímetros de altura. Era uma imagem de São Sebastião, toscamente pintada, que chamava a atenção pelo estilo bem definido do artista que a concebeu. Souza Lima adquiriu a peça e, depois de remover as camadas de tinta que disfarçavam as características da escultura, está certo de que tem em mãos uma obra do grande mestre do barroco brasileiro, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. "É sem dúvida uma obra da primeira fase do artista, entre 1760 e 1774", afirma. O restaurador, que ajudou a montar as exposições do acervo de obras do artista pertencente ao colecionador Renato de Almeida Whitaker, em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, há dois anos, compara o São Sebastião com outras peças de Aleijadinho, como um Anjo Tocheiro, exposto no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG). E lembra que o santeiro barroco imprimia um estilo polêmico em muitas de suas esculturas, a exemplo do que ocorre com o São Sebastião. "A figura mostra um jovem vigoroso, mas de feições delicadas, mãos femininas e que, apesar do corpo atlético, apresenta um busto que lembra seios de mulher." A imagem representa o santo em pé, amarrado a uma árvore, com um pano atado na cintura, recebendo várias flechas que perfuram seu corpo. "Os cabelos tem as mechinhas em vírgulas sobre a testa e mechas separadas sobre o ombro direito, igual às imagens de Cristo Crucificado que estão no Museu Aleijadinho, também em Ouro Preto", descreve. Detalhes do queixo, da boca entreaberta com dentes à mostra, o pano molhado por entre as pernas e esvoaçando, o ventre contraído, com a musculatura à mostra também são características do artista, segundo ele. Lima pediu pareceres a vários especialistas e todos consideraram muito grande a possibilidade de ser um Aleijadinho. Por essa razão, ele vai solicitar o estudo de atribuição ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A emissão do laudo pode levar vários meses. Caso seja confirmada a autoria, ele pretende expor a escultura ao público, em Itu.

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