Resnais completa três anos em cartaz

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2010 | 00h00

Recorde. Medos Privados em Lugares Públicos está há exatos três anos em cartaz em São Paulo

 

 

No fim do ano, quando Ervas Daninhas, estreou na cidade, o próprio Alain Resnais se surpreendeu ao saber que seu longa anterior, Medos Privados em Lugares Públicos, estava há dois anos e meio em cartaz em São Paulo. Mais impressionante ainda, existem semanas, ou dias, em que competindo com blockbusters que estreiam no Belas Artes, o belíssimo Coeurs (Corações) - título original - registra a mais alta frequência de público do conjunto de salas. Agora a data é redonda - completam-se hoje, exatamente, três anos de Medos Privados em Lugares Públicos em São Paulo.

Se você pertence a esta categoria rara - o cinéfilo que ainda não viu o filme de Resnais -, não sabe o que perde. Léo Mendes, o assistente de programação do Belas Artes - o programador é André Sturm, dublê de cineasta e distribuidor, pois também é proprietário da Pandora, que distribui Medos - lembra que não é raro que filmes permaneçam longo tempo no Belas Artes. Entre outros títulos que completaram um ano, contam-se 2046, de Wong Kar-wai, e Bicicletas de Belleville, de Sylvain Chomet, ambos da Pandora.

Outros filmes, de outras distribuidoras, também ultrapassaram o prazo - Pequena Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Fereis, da Fox, e O Filho da Noiva, de Juan José Campanella, da Europa, que permaneceu mais de ano e meio em cartaz. Outro filme de Campanella, e da Europa, candidata-se a cult - O Segredos dos Seus Olhos está desde janeiro no Belas Artes. André Sturm comprou os direitos de Medos no Festival de Toronto, depois que o filme já havia sido premiado em Veneza. Após a primeira semana, nunca mais publicou anúncios do filme - o boca a boca do público eternizou-o em cartaz. Léo Mendes diz que a cada data (um ano, dois) o público aumenta. O marketing de Resnais é a sua longevidade em cartaz. Muita gente quer conhecer o fenômeno, outros voltam para conferir e o público se mantém.

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