Resistência e inspiração

Murro em Ponta de Faca é o nome contundente da publicação criada por Sandro Borelli

HELENA KATZ , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2011 | 03h07

Começa pelo nome, Murro em Ponta de Faca, que não esconde a que veio. Trata-se de uma revista de arte, cultura e dança, lançada em outubro, cujo segundo número sai nos próximos dias. Idealizada pelo coreógrafo Sandro Borelli, carrega, na forma de uma revista impressa e também online (www.murroempontadefaca.com.br), o mesmo tipo de vínculo com a dança que ele mantém na sua produção artística e na sua relevante atuação, há um ano, como presidente da Cooperativa Paulista de Dança.

A revista foi financiada com parte da verba recebida do Fomento à Dança, e complementada por recursos do próprio grupo. De partida, já se configura como uma ação política, pois, em vez de usar o financiamento somente para seus projetos artísticos, destina parte dele para uma iniciativa da maior relevância: "Chega um momento na carreira em que continuar somente a criar já não basta. Espero inspirar os artistas da minha geração a olhar também para outras formas de colaboração com a dança, para além do que já fazem com o seu trabalho, que é mesmo muito importante. No momento em que estamos, o pensar mais coletivamente está fazendo falta", declarou Borelli, em entrevista por telefone ao Estado. "A revista aparece para ser uma voz mais política, e me inspirei na Carta Capital e na Piauí."

O projeto inicial prevê quatro publicações, mas a intenção é conseguir estendê-las para, ao menos, 12. "Embora saiba da dificuldade, estamos tentando outros financiamentos porque a aceitação foi muito boa e agora, na nossa segunda, vamos corrigir as deficiências que detectamos na distribuição da primeira." O Murro # 1 teve como tema Políticas Públicas na Dança, o Murro # 2 será sobre Dança nas Universidades, e os dois seguintes, que serão lançados em 2012, focarão Dança na Periferia e As Relações da Dança com a Mídia e com o Público'.

Mauro Fernando, o editor da revista, em entrevista por e-mail ao Estado, informou: "Os temas foram sugeridos por mim, mas conversados em reuniões com o Sandro Borelli e com o editor de arte, Gustavo Domingues - as decisões são tomadas pelos três. O critério editorial adotado para escolhê-los é a relevância para a dança - os aspectos socioeconômicos que neles estão embutidos e a influência que exercem sobre criadores de diversos matizes".

Domingues explica que "o objetivo é discutir esses assuntos com a profundidade que a chamada grande imprensa - por suas características, como a periodicidade e o vínculo com a agenda cultural - não consegue adotar. E sem abdicar de uma atitude crítica, buscando jogar luz sobre impasses próprios da dança, a fim de contribuir para a superação deles".

No primeiro número, o dossiê sobre políticas públicas foi escrito pelo próprio editor, e participaram também Ana Teixeira, Ana Carolina F. Nunes, Isabella Holanda, Gal Oppido, Hélvio Tamoio e mais uma entrevista com Fabiano Carneiro, o coordenador de dança da Funarte, e uma ilustração de Kisso.

Confiante nas suas iniciativas, Borelli tem uma mensagem para a sua classe profissional: "A dança precisa de altruísmo. Essa palavra precisa ser bastante pensada por nós, na dança. O altruísmo talvez seja uma boa saída".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.