Resende e Antonio Manuel, juntos e inéditos

O Centro Cultural São Paulo (CCSP) dá continuidade ao interessante diálogo entre a jovem produção e as pesquisas plásticas já consolidadas. Desta vez são dois os convidados para expor ao lado dos artistas selecionados para a 2.ª Mostra do Programa Anual de Exposições, que será aberta esta noite: Antonio Manuel e José Resende, o primeiro português de nascimento e carioca de formação, e o segundo uma estrela de primeira grandeza da escultura paulistana. Antonio Manuel é autor de obras ícones da arte brasileira como Corpobra e Urna Quente. Segundo o texto de Alberto Tassinari, ele tem há muito tempo a idéia de ?desequilíbrio? como palavra de ordem. Para a mostra do CCSP, Manuel criou um tapete de telhas coloniais antigas sobre as quais o espectador é convidado a andar; no espaço também há uma piscina, sobre a qual está um balde que pinga, constantemente, 24 horas por dia. ?O trabalho tem tantas metáforas que nem eu conheço todas?, brinca ele. A métrica do tempo, da geometria das telhas e a instabilidade do material, que rompe sob nossos pés, provoca uma espécie de inversão sensorial que ecoa ao longo do resto da exposição.O próprio José Resende, cujo cujo trabalho recebe o visitante logo na entrada, está presente com uma obra ? também inédita ? de uma delicadeza quase diáfana. O artista construiu uma grande escultura-instalação de tecidos brancos transparentes, como que lençóis. Esse mar de pureza, sacudido pelo vento (artificialmente provocado por ventiladores) é atravessado por longos e finos tubos de cobre, que queimaram o tecido no lugar por onde passaram. Compondo com elementos de clara ? mas não explícita ? simbologia sexual, Resende cria uma bela e sutil poética sobre as relações entre o espaço e o(s) corpo(s).Serviço - Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, tel.: 3277-3611. Abertura hoje, às 19 horas.

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