Renomado historiador marxista Eric Hobsbawm morre aos 95 anos

O renomado historiador britânico de esquerda Eric Hobsbawm, cuja obra influenciou estudantes e políticos por toda a Europa e em outras partes do mundo, morreu em um hospital de Londres nesta segunda-feira, aos 95 anos, disse a BBC.

Reuters

01 Outubro 2012 | 10h14

Hobsbawn morreu no início da manhã no Royal Free Hospital, em Londres, onde estava internado para receber tratamento para uma pneumonia.

"Ele fará muita falta, não apenas para sua esposa há mais de 50 anos, Marlene, e seus três filhos, sete netos e um bisneto, mas também para os vários milhares de leitores e estudantes em todo o mundo", afirmou a família em comunicado.

Hobsbawm recebeu a consagração da crítica com uma obra de quatro volumes sobre a Europa nos séculos 19 e 20, que foi traduzida para 40 línguas. Suas memórias, que foram best-seller, elencaram os momentos cruciais na história europeia moderna nos quais ele viveu.

Hobsbawm nasceu em uma família judia em Alexandria, Egito, no ano da Revolução Russa, em 1917, e cresceu em Viena e Berlim, antes de mudar-SE para Londres durante a adolescência, em 1933, enquanto Hitler ascendia ao poder na Alemanha.

Ele aderiu ao Partido Comunista aos 14 anos e esteve proximamente ligado ao Partido Trabalhista britânico, de esquerda, sobre o qual era visto como uma forte influência nos anos 1980 e 1990.

Ele foi uma vez descrito pelo ex-líder trabalhista Neil Kinnock como "meu marxista favorito".

Hobsbawm manteve seu compromisso com o marxismo mesmo depois da invasão soviética da Hungria, em 1956.

Anos depois ele disse que "nunca havia tentado diminuir as coisas terríveis que haviam acontecido na Rússia", mas que acreditava que no início do projeto comunista um novo mundo estava nascendo.

(Reportagem de Isla Binnie)

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