Mario Miranda/Divulgação
Mario Miranda/Divulgação

Renata de Almeida no comando da 35ª Mostra Internacional de Cinema

Leon Cakoff, idealizador do evento, trata de um câncer no cérebro diagnosticado em dezembro

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2011 | 03h07

Matéria publicada em 9 de outubro. Leon Cakoff morreu nesta sexta-feira, 14, em decorrência de câncer

A 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo é comandada pela primeira vez este ano por Renata de Almeida, mulher de  Leon Cakoff, idealizador da Mostra, que trata de um câncer no cérebro diagnosticado em dezembro. Impossibilitado de participar da pesada rotina, ele acompanhou tudo à distância, atento aos detalhes e fazendo palpites audaciosos. Partiu dele, por exemplo, a sugestão do evento apresentar apenas filmes inéditos em território brasileiro, ou seja, que não tivessem sido exibidos ainda em nenhum festival do País. A exceção são todos os longas nacionais, que disputam o Prêmio Itamaraty. "Quando Leon apresentou a ideia, a equipe quase entrou em pânico, pois todos temiam que a lista final ficasse enxuta demais", conta Renata. O processo de seleção, no entanto, trabalhou a todo vapor até que se somassem cerca de 250 títulos, contra os habituais 350 e até 400 de edições anteriores.

Com isso, a Mostra reforça um de seus dogmas basilares: apresentar alternativas do cinema mundial, mesmo que o mercado esteja totalmente ao alcance do computador. "Hoje em dia, é fácil baixar qualquer filme na internet. Mas, com tanta opção, o espectador tem dificuldade em distinguir o que é realmente bom - aí está a importância da Mostra", comenta Renata, que enfrenta há um mês a tripla maratona de cuidar do marido no hospital, dos dois filhos em casa e ainda dos detalhes finais da programação e convidados.

A largada da Mostra foi dada no sábado, 8, com o anúncio para a imprensa das principais atrações. Diversos eram os motivos para comemorar - como a exposição de imagens que o Museu da Imagem e do Som vai abrigar de um dos mestres do cinema soviético, Sergei Paradjanov,  a retrospectiva da carreira de Elia Kazan, um dos mais importantes e controvertidos cineastas americanos. Os cerca de 50 profissionais responsáveis pela organização, no entanto, tinham um motivo particular para festejar: a força de grupo. "A dedicação deles permite acreditar que a Mostra será novamente um sucesso", explica Renata.

Se depender de Cakoff, a lista de presenças ilustres ainda não está fechada. Ele cobrou, por exemplo, a presença de Claudia Cardinale, atriz italiana que revelou intenção de vir a São Paulo para o festival. Cakoff não esteve presente na coletiva de imprensa que aconteceu ontem, ausência que causou estranheza por quebrar uma tradição, mas ele espera participar da cerimônia de abertura, no dia 20, no Auditório do Ibirapuera - a maratona começa no dia seguinte e se estende até 3 de novembro.

Também a festa da largada terá um toque diferente, graças a outra sugestão de Cakoff: habitualmente conduzido por Serginho Grossman, o espetáculo será comandado dessa vez pelo crítico Rubens Ewald Filho. "E de smoking", pede Cakoff. Será o ponto de partida da tradicional seleção de filmes, evento que já figura no calendário cultural de São Paulo.

Em 22 salas, entre cinemas, museus e centros culturais espalhados pela capital paulista, serão exibidos filmes premiados em grandes festivais, como Era Uma Vez na Anatólia, de Nuri Bilge Ceylan, que ganhou o Grande Prêmio do Júri em Cannes neste ano. "Foi um dos longas que fiz questão de incluir na Mostra", confessa Renata.

A lista é engrossada por O Amor Não Tem Fim, de Julie Gavras (diretora conhecia por A Culpa é do Fidel), Habemus Papam, de Nanni Moretti, O Futuro, de Miranda July, A Ilusão Cômica, de Mathieu Amalric, Low Life, de Nicholas Klotz e Elisabeth Perceval, Como Começar Seu Próprio País, de Jody Shapiro (produtor de A Música Mais Triste do Mundo), As Neves do Kilimanjaro, de Robert Guédiguian, Caverna dos Sonhos Esquecidos, documentário em 3D de Werner Herzog, e Sorelle Mai, de Marco Bellocchio (Vincere).

Entre os nacionais, destaque para os documentários Canções, de Eduardo Coutinho, Marighella, de lsa Grinspum Ferraz, e Vai-Vai 80 Anos nas Ruas, de Fernando Capuano. Na lista da ficção, estão O Céu Sobre os Ombros, de Sérgio Borges; Olhe pra Mim de Novo, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla; O Palhaço, de Selton Mello; e o primeiro longa de Caio Sóh, Teus Olhos Meus.

"Eventos especiais costumam figurar na Mostra, como shows e exposições. Dessa vez, teremos cerca de 60 obras de Sergei Paradjanov expostas no MIS, que serão montadas por Daniela Thomas e Felipe Massara", conta Renata.

Reforçando a parceria com a Cosac Naify, será lançado também o livro Conversas com Scorsese, que contará com a presença do autor, Richard Schickel. Por conta disso, será exibida a versão digital restaurada de Taxi Driver, que estreou no Festival de Berlim deste ano. O cardápio empolga Renata de Almeida que, apesar de uma conturbada preparação, sente-se honrada de apresentar mais uma Mostra.

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