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Renata de Almeida

Ela estudou cinema em São Paulo, documentário em Nova York e hoje dirige o maior evento cinéfilo da capital, ao lado do marido Leon Cakoff

Flávia Guerra, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2010 | 00h00

Você é diretora da Mostra de Cinema de São Paulo, ao lado de Leon Cakoff, desde 1989. Como é dirigir um evento com este porte ao lado do marido?

Ao mesmo tempo em que é ótimo, porque nos entendemos muito bem, há preconceito. Às vezes digo algo para alguém e, minutos depois, ouço a pessoa dizendo: o Leon me contou...

Isso te incomoda?

Antes incomodava. Hoje sei levar melhor. Às vezes produzo um evento da Mostra, mas não faço o discurso de abertura, por exemplo, porque as pessoas querem o Leon. Digo: "Vai porque vão ficar mais felizes". Este ano, "As Bicicletas da Mostra" foi ideia minha. O "Filmes da Minha Vida" foi dele. A parceria existe porque há igualdade na relação e cooperação no trabalho.

Como funciona a divisão?

A curadoria é dividida ao longo dos festivais a que vamos ao longo do ano. Quando vai se aproximando da data da Mostra, começo a cuidar mais da produção do evento e o Leon cuida de assuntos como o catálogo, a única coisa em que faço questão de não me meter.

Você se considera feminista?

Estou com 45 anos. E brinco que estou ficando mais velha e mais feminista. Acho que em muitos assuntos andamos para trás, como a discussão sobre o aborto no Brasil. Ainda somos hipócritas. E o "mau uso" do relativismo cultural é perigoso. Tenho dois filhos, dois meninos. É bom para os dois que as meninas de hoje sejam mulheres "de igual para igual". É bom para todos quando há igualdade.

Feminismo está fora de moda?

Sim, mas isso porque tudo que é relativo ao feminismo é sinônimo de mulher que queima sutiã na praça. E com isso há questões importantes que são ridicularizadas e deixam de ser discutidas. O toque feminino é bom e faz bem a qualquer trabalho.

Há algo de exclusivamente feminino que você deu à Mostra?

Além do olhar em relação à curadoria, nós mulheres nunca deixamos de cuidar. Eu me preocupo com questões como, por exemplo, a cozinha do escritório da Mostra. Precisamos de espaço, mas da cozinha eu não abri mão. É ela quem dá qualidade de vida ao dia a dia. No meio da loucura de uma Mostra, há frutas, café, bolacha... Parece bobeira, mas faz diferença.

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