Renascimento pelo digital

Sem espaço nas edições impressas, as partituras encontraram no digital o seu maior aliado. Obras raras, que ficavam de fora nas coletâneas, renascem nos últimos anos graças aos museus virtuais. Um dos pioneiros do gênero, o Portal Musica Brasilis, idealizado em 2009 pela cravista Rosana Lanzelotte, põe à disposição partituras em formato de execução. Com mais de 2 mil acessos mensais, é hoje uma das principais fontes de acesso para compositores brasileiros.

Bolivar Torres, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h09

A próxima etapa é uma parceria com a editora Irmãos Vitale, que liberará em breve uma série de 2.300 obras para o site. Como ainda não entraram no domínio público, estarão à venda para download. Sem os custos de distribuição, porém, será possível oferecer um preço razoável.

"Por uma questão econômica, uma parte imensa do repertório dos Irmãos Vitale não é mais editada. Entre as obras que estavam inacessíveis se encontram preciosidades de Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Radamés Gnatalli, Ary Barroso, entre outros", relaciona Rosana. "Sem a edição impressa, como alguém num conservatório de Cuiabá teria acesso a essas composições?"

A digitalização das partituras permite uma maior agilidade para se chegar a orquestras do mundo todo. "A maneira como muitos bancos físicos de partituras estão colocando à disposição nas instituições não é adequada para os dias de hoje", pontua Rosana. "É preciso mais agilidade para adquirir ou alugar uma partitura, não se pode depender de mandar um cheque pelo correio e esperar o material impresso chegar."

O papel dos portais, porém, vai muito além da comercialização. Uma das principais missões do Musica Brasilis é preservar o acervo brasileiro, devolvendo à vida uma série de composições até então raras. Com a ajuda do pesquisador Paulo Castanho, foram recuperadas obras como a Sonata para Violino e Piano de Leopoldo Miguez, o Quinteto com Piano de Henrique Oswald, ou ainda o conjunto de partituras do Museu de Música de Mariana, localizado em Minas Gerais.

"Queremos ser um museu, porque o problema da preservação atinge tanto os mais antigos quanto os mais novos", projeta Rosana. "Ao serem guardadas, as partituras físicas eventualmente acabam sendo comidas, ou então as instituições não têm fundos para higienizar o papel. Nesse aspecto, as bibliotecas cumprem um importante trabalho na preservação, temos que aplaudi-las, mas elas não são suficientes." / B.T.

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