Remuneração divide músicos e biógrafos

Autores questionam ideia de pagamento a artista biografado

Ubiratan Brasil/ Enviado especial a Frankfurt, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2013 | 19h12

A discussão sobre a forma de se produzir biografias de pessoas conhecidas continua dividindo a classe artística. Ontem, em sua coluna no jornal O Globo, o cantor e compositor Caetano Veloso negou que tomasse a atitude de um censor ao defender o controle sobre as biografias. "Censor, eu? Nem morta!"

Ele também afirmou ser a favor de biografias não autorizadas de figuras como José Sarney ou Roberto Marinho. Mas cita "o sofrimento de Gloria Perez" e o "perigo de proliferação de escândalos" como justificativas para uma atenção maior ao direito de privacidade". "No cabo de guerra entre a liberdade de expressão e o direito à privacidade, muito cuidado é pouco", continuou.

A cisão entre os músicos (unidos no grupo Procure Saber), que defendem a autorização prévia para biografias, e os biógrafos, especialmente os mais respeitados, aumenta cada vez mais. Até o final da tarde de ontem, nenhum deles havia comentado a reação de Caetano, mas continuam as manifestações.

O aspecto financeiro tornou-se premente. "Os artistas do Procure Saber alegam que os biógrafos brasileiros ganham muito dinheiro com suas obras e que os biografados deveriam participar dos lucros. Suspeito, aliás, que esse seja, de fato, o principal objetivo do grupo", comentou, em seu blog, Laurentino Gomes.

"Os compositores (...) não nutrem o hábito de pagar aos personagens que inspiram suas composições. Não têm mesmo que os remunerar, porque as pessoas não dividiram o trabalho de criação", observou, em seu blog, Mario Magalhães, autor de Marighella. "O criador é remunerado, não o objeto que o inspira. Abstenho-me de enumerar uma relação infinda de músicas célebres inspiradas em pessoas de carne e osso."

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