Fabrizia Granatieri / Estadão
Fabrizia Granatieri / Estadão

Relembre 7 títulos do carnaval que homenagearam personalidades

Nomes como Chico Buarque, João Carlos Martins e Maria Bethânia originaram desfiles marcantes das escolas de samba no Rio e São Paulo

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2022 | 10h00

É comum ver nomes conhecidos do grande público, seja na música, dramaturgia, escrita ou outras áreas, sendo homenageados em sambas-enredo marcantes do carnaval no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nem todos, porém, conseguem ser campeões.

Entre os que garantiram um título à sua escola de samba, um dos casos mais frescos na memória do paulistano foi a vitória do samba em homenagem ao maestro João Carlos Martins, em 2011, pela Vai-Vai, escola que também homenageou Jorge Amado, em 1988. Nos primórdios da festa como é hoje, em 1963, o Salgueiro prestou honras a Xica da Silva. Já a Mangueira conseguiu três títulos seguidos inspirada por Dorival Caymmi (1986), Carlos Drummond de Andrade (1987) e Chico Buarque (1988), além de Maria Bethânia em 2016.

Relembre como foram esses desfiles abaixo:

Chico Buarque - Mangueira (1988)

"Durou apenas 17 minutos. Mas foi tempo suficiente para fazer da passagem do compositor Chico Buarque pela Marquês de Sapucaí um dos momentos mais marcantes do desfile das escolas do Grupo Especial deste ano", destacou o Estadão sobre o desfile.

O compositor desfilou no carro "70 Anos de Glória", o sétimo da escola a passar pela avenida, junto à velha guarda da escola de samba, como Carlos Cachaça, Dona Zica, Dona Neuma e Serginho. "Queria ficar mais. Foi maravilhoso. Todos os momentos foram bons e não dá para avaliar, porque a vista fica turva diante de tanta gente", vibrava, após ser bastante aplaudido. 

Relembre aqui mais detalhes sobre o desfile, que teve o enredo Chico Buarque da Mangueira.

Carlos Drummond de Andrade - Mangueira (1987)

Animado com a homenagem, o poeta chegou a publicar um texto para a Mangueira, publicado no jornal A Voz do Morro, da escola de samba (e republicado no Estadão de 19 de fevereiro de 1987; leia aqui). 

Drummond não participou do desfile por recomendação médica - se recuperava de um infarto sofrido no final do ano anterior e evitava grandes emoções. Falou pouco após saber do título: "O presidente da Mangueira, Carlos Doria, e dona Zica, se emocionaram tanto que não aguentaram falar. Eu, evidentemente, também não vou aguentar". Mesmo assim, destacou "a vitória da arte popular brasileira" com o enredo O Reino das Palavras, Carlos Drummond de Andrade. Ele morreria meses depois, em 17 de agosto de 1987, aos 84 anos.

Clique aqui para relembrar mais detalhes sobre o momento.

João Carlos Martins - Vai-Vai (2011)

A homenagem ao maestro fez o tema musical tomar conta do desfile da escola do Bixiga em 2011. A passista Nani Moreira, por exemplo, entrou com adereços em formato de clave de Sol e um violino em mãos.

João Carlos Martins esteve presente, regeu a bateria e passou "o tempo todo chorando" de emoção. "Nunca imaginei [ser tema de um desfile no carnaval]. A emoção foi muito grande quando recebi o convite, nunca esperava. Você corre atrás de um sonho e, quando menos espera, o sonho corre atrás de você. Só existe um tipo de música: a de bom gosto. Pode ser a clássica, pode ser a do carnaval. E esse samba é de muito bom gosto", comentava, à época.

Clique aqui para relembrar o desfile com o enredo A Música Venceu! Bravo! João Carlos Martins!

Jorge Amado - Vai-Vai (1988)

Para homenagear o centenário da abolição da escravatura no Brasil, a Vai-Vai optou por um enredo homenageando o escritor: "a saga da raça negra vista através da pena de Jorge Amado, baiano bom, brasileiro consciente, sensibilidade universal". A letra era inspirada em seu livro Tenda dos Milagres. Clique aqui para relembrá-la

O enredo Amado Jorge, a História de Uma Raça Brasileira rendeu o título do carnaval de 1988 à paulistana Vai-Vai.

Maria Bethânia - Mangueira (2016)

A cantora apareceu no último carro (que representava um circo, uma de suas paixões na infância) do desfile em sua homenagem, Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá.

Não foi a primeira vez que havia sido homenageada pela escola, que em 1994 teve o enredo Doces Bárbaros em referência a ela, Caetano Veloso (seu irmão), Gilberto Gil e Gal Costa. Daquela vez, porém, a agremiação ficou na vice-lanterna.

Bethânia comemorou a conquista em entrevista ao Estadão, na ocasião: "Fico honrada e muitíssimo alegre de a Mangueira receber esse prêmio, porque é minha escola desde 1965, quando cheguei ao Rio. Me levaram às 5 horas para ver as escolas, entrou algo verde e rosa e foi minha paixão. E hoje essa escola faz isso, homenageia o meu orixá através de mim. Desfilar foi delicioso".

Relembre mais detalhes sobre o desfile clicando aqui.

Dorival Caymmi - Mangueira (1986)

Durante o desfile do enredo Caymmi Mostra ao Mundo o Que a Bahia e a Mangueira Têm, surgiram na avenida muitas referências ao mar e à cultura baiana, além de Iemanjá e Carmen Miranda. O compositor compareceu inteiro vestido de branco, ao lado de sua neta, Luciana, e uma amiga dela. 

Xica da Silva - Salgueiro (1963)

À época, o carnaval carioca havia acabado de se transferir da avenida Rio Branco para a Presidente Vargas. Em entrevista ao O Globo, o cineasta Cacá Diegues revelou como o desfile lhe impactou: "O Salgueiro não só estava mudando a história do carnaval, como também criando uma das maiores emoções estéticas que tive. Inesquecível. Eu mal sabia quem era Chica da Silva. Foi o desfile que me inspirou a fazer o filme [homônimo, de 1976]".

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