Relações delicadas

Yan Pascal Tortelier conversou com o público sobre dinâmica entre maestros e orquestras

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

Uma conversa do público com o maestro Yan Pascal Tortelier, na noite de quinta, marcou o encerramento do primeiro ano do projeto Música na Cabeça, parceria da Osesp com o Estado. Ao lado do diretor artístico da orquestra, Artur Nestrovski, ele falou da sua relação com o grupo.

Tortelier abriu a conversa falando da turnê da orquestra, que a partir da semana que vem apresenta-se em cidades como Viena, Salzburg e Madri. "Eu já estive em turnê com grupos importantes, e é sempre uma ocasião especial", disse o maestro. "Aqui, a importância é ainda maior, porque estamos dispostos a mostrar do que somos capazes, tocando um repertório amplo, com Ravel, Rachmaninoff, Villa-Lobos, Shostakovich. Há coisas novas para a orquestra, como o concerto do Lutoslawski, e peças novas para mim, como o Choros nº 6 do Villa-Lobos. Isso é interessante, porque no final das contas vamos mesmo é falar um só idioma, que é a música. A turnê, neste sentido, é a oportunidade de mostrar o contato entre minhas ideias e as da orquestra, que me encantou por sua ética de trabalho e seu enorme potencial", completou.

Em seguida, as perguntas tentaram tirar do maestro uma avaliação mais concreta dos últimos dois anos. Nestrovski e membros da plateia pediram a ele que comparasse a orquestra de hoje com a de dois anos atrás, além de perguntar a ele como via o grupo em relação a outros importantes conjuntos nas quais atua, como as sinfônicas de Chicago e Boston. Tortelier foi cuidadoso. Começou a resposta dizendo que não há nada mais bonito que um relacionamento - no caso, entre um maestro e uma orquestra. "O que temos feito nesses anos é explorar esta relação, que nem sempre é fácil. Para dar certo, além da química, é preciso de compreensão, paciência, perseverança e muito trabalho", disse. Violinista de formação, ele comparou a orquestra a um instrumento. "Eu busco tocar a orquestra como tocava o violino. O que acontece é uma troca. Eu trago comigo uma série de ideias e convicções musicais, assim como a orquestra tem as suas. Meu trabalho é construir um diálogo e buscar sucesso na construção de uma sonoridade e um colorido específicos." Sobre a comparação com outras orquestras, foi categórico e pediu que se deixasse de lado qualquer resquício de provincianismo. "Se olhamos a qualidade e o alcance dos nossos programas, vemos que estamos lidando com uma orquestra de nível internacional. Não há porque se rebaixar. Enquanto estivermos tentando nos comparar é porque ainda não atingimos o resultado."

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