Relação pai e filho, armadilha de enredos sentimentaloides

Não gostei. O projeto de Depois da Terra, da franquia Will-Jaden Smith, entregue a M. Night Shyamalan, destaca-se por uma obviedade atroz. Parece uma contradição em termos, mas existem obviedades que, de tão ostensivas, parecem até originais. Dão até a falsa impressão de que trazem algo novo.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2013 | 02h07

A história em si é mais que manjada: a espécie humana finalmente conseguiu inviabilizar a vida na Terra e foi obrigada a colonizar outros planetas. A espécie é ameaçada de várias maneiras, mas por uma em particular. Aqui, uma ideia interessante, em meio à mesmice: há um ser terrível, chamado "ursa" que, apesar de cego, detecta a presença de seres humanos pela presença de hormônios que estes secretam quando estão com medo. Alguns humanos especiais, que não sentem medo, ou conseguem dominá-lo, são preparados para combater esses seres monstruosos. O personagem de Smith pai é um desses privilegiados, chamados "fantasmas".

Numa aventura cheia de perigos, ele, ferido, precisará orientar o filho, Jaden, para que este enfrente perigos terríveis para um garoto de 13 anos. Enfim, aqui caímos naquela falta de originalidade total em que o menino ensina o homem e este lhe transmite uma, digamos assim, tradição. Relação pai e filho, a sempre presente armadilha para enredos sentimentaloides.

E há o desenho visual dos blockbusters que, cada vez mais facilitado pela tecnologia computadorizada, não mais enseja qualquer desejo de originalidade. Tudo é muito rotineiro, já visto, como se os filmes se repetissem. Essa facilidade provoca uma espécie de preguiça mental, como se imagens vertiginosas, conquistadas com tanta facilidade, pudessem substituir uma boa história. Não podem. Esses filmes são sempre os mesmos, com pequenas variantes para que pareçam novos. Variações em torno do óbvio.

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