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Reis da pedrada

Troy Van Leeuwen fala sobre o novo CD do Queens of the Stone Age

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2013 | 02h12

Peso. Luxúria. Inconsequência. O Queens of the Stone Age representa tudo o que o rock deixou de ser. Trilham à margem de contemporâneos descolados, recombinam clichês com reverência, encarnam a extinta glória dos deuses do metal, sem parcimônia. São neandertais, sugere o nome, atualizados. Pedreiros do rock que vendem discos de platina trabalhando em um nicho fora de moda.

Entretanto, mesmo com todos os requisitos para a aposentadoria, nunca passam batido. Lotam estádios, encabeçam festivais. Tramam uma experiência carnal, sob a liderança de Josh Homme, que preenche espaços não ocupados por darlings da crítica - Strokes, White Stripes, Franz Ferdinand. Sobem ao palco sem hype ou roupa (como fez o baixista Nick Oliveri no Rock in Rio de 2001) e apaziguam multidões com bem-vindas pauladas de distorção.

Na sexta-feira, uma semana antes de subir ao palco do Lollapalooza, neste sábado, dia 30, a banda anunciou o lançamento de um novo álbum. Será o primeiro em seis anos, batizado de Like Clockwork e lançado pela influente gravadora indie Matador Records. Como é de praxe em trabalhos do QOTSA, foi divulgado um line-up sortido, que conta com Elton John, Trent Reznor, Mark Lannegan e Dave Grohl, que já integrou o grupo.

"Foi um disco muito difícil de fazer", conta o guitarrista Troy Van Leeuwen, pelo telefone, de Los Angeles, onde a banda esteve gravando. "Mas se você for pensar bem, nunca foi fácil fazer um disco. Tem de vir de um lugar complicado. Se for muito fácil, você não chega aos lugares sombrios da alma. É lá, nos conflitos internos, que mora a arte", completa o sábio Van Leeuwen, de 43 anos, há dez na estrada com o QOTSA.

Com Josh Homme, Van Leeuwen é responsável pelo característico timbre do grupo: ricas camadas de distorção que impulsionam o peso de discos como Rated R e Songs for the Deaf. Em Like Clockwork, esta arquitetura sonora foi deixada em segundo plano. "Sempre colocamos as guitarras à frente de nossos discos. Desta vez, decidimos deixar os vocais em evidência. Nós os vestimos com as texturas das guitarras", explica o guitarrista. O som foi o resultado de uma busca por algo novo, que não se acomodasse na fama construída pelo QOTSA desde que lançou o primeiro disco, em 1998.

A gravação de Like Clockwork começou no mítico estúdio Rancho de La Luna, no deserto de Mojave, onde Josh Homme costuma ensaiar. Com o material bruto, a banda voltou para Los Angeles e reatou com integrantes antigos, como Mak Lannegan e Nick Oliveri, expulso do QOTSA em 2004 por supostamente ter agredido uma namorada.

Oliveri, por sinal, foi protagonista de uma das memoráveis polêmicas do grupo, ao entrar nu no palco do Rock in Rio, em 2001. Pergunto se, desde então, a banda amadureceu. "Não estava lá. Mas acredite em mim: já ouvi esta história meio milhão de vezes. Acho que não somos mais tão explícitos sobre o que se passa, mas não mudamos. O rock ainda é um escape da realidade, algo intangível que nos transporta para outro mundo", acrescenta.

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