Rei morto, rei posto

'Game of Thrones' retorna com mais sangue que nunca

CLARICE CARDOSO, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2014 | 02h12

Os verões duram décadas e os invernos, uma vida inteira nos Sete Reinos de Westeros, onde se passa a história de Game of Thrones, cuja quarta temporada estreia hoje na HBO, simultaneamente à estreia nos EUA. Dizer que diversas famílias com dinastias milenares vivem em guerra entre si pelo poder máximo, o Trono de Ferro, seria a sinopse mais básica para entender do que se trata a série, que é muito mais que isso.

Todos os anos, Game of Thrones aparece na lista de melhores da crítica, e é um fenômeno cultural que ultrapassa a televisão. Casos assim não surgem à toa. Em parte, é resultado da megaprodução da HBO, que filma em Belfast, na Irlanda do Norte, em Malta, na Escócia, na Croácia, na Islândia e no Marrocos. Todo o resto é o brilhantismo de George R. R. Martin, autor dos livros Crônicas de Gelo e Fogo.

O texto de Martin é o que dá vida à série. O primeiro volume, editado no Brasil pela Leya, foi lançado nos EUA em 1996 e, o que era para ser uma trilogia, logo se transformou em sete livros.

Sendo Martin o que há de melhor em Game of Thrones, ele é também o fator que mais preocupa no futuro da série. Seu método de trabalho não condiz com o ritmo da produção para a televisão, e a TV não segue a lógica do livro a livro. O material inédito para os próximos episódios se aproxima perigosamente do que já está escrito, e há o risco real de que a série simplesmente ultrapasse a produção literária. O que fazer nesse caso?

Algumas características distinguem Game of Thrones. Há muita violência, sexo e conflitos morais. Certos elementos poderiam ser comparados, com as devidas proporções, a um certo realismo fantástico. Mas é no lado político que está sua força. Alianças entre as famílias se formam e se desmancham com fugacidade. E até o mais insuspeito coadjuvante revela uma ganância que abala qualquer estratégia.

Por saber demais, um protagonista foi degolado já na primeira temporada. Outros foram assassinados a torto e a direito desde então. O showrunner David Benioff prometeu que este ano terá mais mortes do que nunca. Mais que tudo, Game of Thrones é imprevisível. Por isso, é imperdível.

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