Rei da Espanha abre mostra no Rio

O rei da Espanha, Juan Carlos, e a rainha Sofia de Bourbon, que visitam o Brasil em julho, a convite do presidente Fernando Henrique Cardoso, vão reservar o dia 11 para a inauguração da mostra Esplendores de Castela, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio. São 135 peças, na maioria quadros produzidos entre 1580 a 1640, época em que o Brasil esteve sob o domínio espanhol, devido à morte, sem herdeiros, do rei português. Os principais artistas desse período são El Greco e Velásquez, que formam com Goya, a santíssima trindade da arte espanhola anterior e este século.Todo o museu será envolvido no evento, que se espalhará pela cidade em festivais gastronômicos, ciclos de palestras e exposições sobre a Espanha. A mais importante é sobre Miguel de Cervantes, o maior escritor espanhol dessa época, na Biblioteca Nacional, que fica ao lado do MBNA. Nela será exibido um exemplar da edição original de Dom Quixote de la Mancha, datado do século 16 e trazido por dom João VI no acervo que deu origem à Biblioteca Nacional.O barroco espanhol sucedeu o renascimento italiano e foi influenciado por ele. O tema das obras era religioso, por influência dos reis Felipe II e Felipe III que, nesses 60 anos, governaram a Espanha, então uma potência mundial, mas os profanos começam a aparecer, num estilo que levou o nome de bodegon, um tipo de natureza morta retratando cenas e detalhes de tabernas.As obras só poderão vir depois de muita negociação. "Não conseguir trazer tudo o que queria porque, no Museu do Prado, por exemplo, nada do que está exposto ao público pode sair de lá", conta a coordenadora do evento, Frances Marinho, que trabalha nele desde janeiro. "A exposição tem orçamento de US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 3 milhões) financiados através da Lei Rouanet, com apoio da prefeitura que pagou a reforma do MNBA.Um terço das obras virão do Museu do Prado, o maior da Espanha, que fez severas exigências quanto à segurança, luz e ambientação do Museu Nacional de Belas Artes. Os quadros chegam no início de julho, acompanhados de uma equipe de 20 de restauradores do Ministério da Cultura espanhol. "O maior deles As Tentações de Santo Tomás, de Velásquez, mede 3,5 x 1,5 metros", avisa Frances. "Em alguns casos, tive que convencer duas ou três comissões a deixar as obras sairem da Espanha".É o caso do quadro Recuperação da Baía, de Juan Mainó, pintor menos conhecido do barroco espanhol, e da Sagrada Família, de Velásquez. Por isso, boa parte do orçamento, cujas duas maiores cotas foram pagas pelo Banco Santander e a Telefónica, duas empresas espanholas, se dividiu entre o transporte das obras (obrigatoriamente em aviões cargueiros diferentes) e seu seguro. Por este motivo também, é pouco provável que Esplendores de Castela seja levada a outras cidades. "Já foi muito difícil conseguir trazer essas 135 obras e os museus não querem ficar sem elas por mais de três meses", conclui Frances.

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