Jotabê Medeiros/AE
Jotabê Medeiros/AE

Rei chora no muro das lamentações

Em Jerusalém, líder religioso elogia força espiritual da voz do cantor, que fica com olhos marejados

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / JERUSALÉM

Filmando um especial para a Rede Globo, o cantor Roberto Carlos, de 70 anos, rompeu um tabu que já se arrastava há décadas e filmou externas pelas ruas de Jerusalém. Há anos, seus shows sempre são filmagens quase em tempo real de concertos em lugares fechados (à exceção do de Copacabana, no ano passado). O próprio Roberto não lembra quando foi a última vez que saiu às ruas para filmar, mas diz que gosta dos dois formatos, gosta de estar em ação com nos bons tempos do filme Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa, dirigido por Roberto Farias em 1968 (com cenas em Jerusalém) e cujas filmagens duraram um ano.

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Neste domingo, em sua peregrinação light, ele chegou ao maior ponto de oração dos judeus, o Muro das Lamentações, ápice de suas caminhadas pela Terra Santa. Foi um tipo de apoteose: ele chegou em uma Mercedes cercada de policiais no sítio do Muro, caminhou até o local cercado de repórteres (as repórteres mulheres ficaram separadas por uma cerca, por conta da tradição), rezou e filmou uma cena duas vezes para o especial e, quando ia embora, foi chamado para fora do carro por Shmuel Rabinovich, rabino-mór do Muro e dos lugares sagrados de Jerusalém.

"Estamos muito felizes que você está aqui, na cidade de Jerusalém, a cidade que abriga a todos, a cidade que, dentro do próprio nome carrega a paz e carrega amor", disse Rabinovich, em hebraico, com a ajuda de um tradutor brasileiro. "Espero que todas as rezas que você fez em Jerusalém possam cair sobre ti e sobre todos aqueles para quem você rezou", continuou o rabino.

"O Rei Salomão quando construiu esse lugar, há mais de 2 mil anos, ele rezou e pediu a Deus que todas as rezas dos judeus e não judeus acontecessem independentemente de quem fosse a pessoa", afirmou-lhe Rabinovich. "Aqueles que receberam a força para poder cantar como você canta têm uma força espiritual enorme e com certeza suas vozes chegam aos mundos divinos."

Roberto ficou com os olhos marejados e disse: "Tô emocionado", murmurou o artista. Ambos se abraçaram, sob os olhares curiosos de judeus ortodoxos, rabinos e turistas. "Amém a nós todos", disse Roberto. Ele também abriu o vidro do carro ao ser chamado por duas fãs, que chamou pelo nome, e que estavam no local.

Antes de ir ao Muro, Roberto passeou pelas colunas recém-descobertas do Cardo Bizantino (uma das ruas do comércio da velha Jerusalém, mantidas intocadas sob a terra, e que mostram a forma como eram no século 6.º antes de Cristo). Sentou-se ao pé de uma das colunas.

"Nós temos uma energia boa, uma química boa um com o outro", disse Jayme Monjardim, que dirige Roberto em Jerusalém. "Existe um respeito grande de ambas as partes e isso aqui é uma honra, só vai somar para a minha carreira", afirmou Monjardim, que, na dúvida, foi até o Muro das Lamentações e fez um pedido. "Pedi para que tudo corra bem", revelou.

Na entrada da Basílica do Santo Sepulcro fica a pedra em que, segundo a tradição cristã, o corpo de Jesus Cristo foi repousado após ser tirado da cruz. Roberto ajoelhou-se ao lado da pedra enquanto uma mulher a limpava com um lenço - durante toda sua caminhada de sábado, que concluiu às 7h30 da manhã, ele não foi reconhecido. Estava acompanhado da reportagem do programa de variedades Fantástico, da Rede Globo.

Foi também na basílica, na capela de Santa Helena, sozinho, que ele rezou mais e também se emocionou mais. Segundo contam, Santa Helena (mãe do imperador Constantino, convertida ao cristianismo) foi quem achou a cruz de Cristo, e ao redor dela, na capela do século 4.º, curou leprosos e outros doentes. Roberto também ficou encantando com o perfume de rosas que sai de um orifício na capela onde o corpo de Jesus teria ficado - e de rosas ele entende.

Para entrar na capela em que Cristo teria sido sepultado há filas, mas pelo adiantado da hora, Roberto não teve problemas. Subindo as escadas, o cantor encarou outro símbolo forte para os católicos: o calvário. Logo após o Santo Sepulcro, o cantor visitou o Monte das Oliveiras, onde fica a igreja na qual, também segundo a tradição, Jesus suou sangue e pronunciou a famosa frase "Pai, afasta de mim este cálice!".

O cantor começou a fazer as imagens no sábado, quando visitou, às 5 h da manhã, a Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém. Hoje, ele visitará um mosteiro no Deserto da Judeia e também o Domo de Pedra, um lugar sagrado para os muçulmanos. O cantor até mencionou, durante entrevista coletiva na quinta, a possibilidade de compor alguma canção sobre essa experiência nos territórios sagrados de judeus, cristãos e muçulmanos.

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