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Registro de turnê antes da pausa de Camelo

CD e DVD, 'Mormaço' antecipa fase de descanso do cantor e músico carioca

EMANUEL BOMFIM, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2013 | 02h07

Marcelo Camelo gosta de pensar a atividade musical como uma sucessão de ciclos, que nascem a partir de um lote de canções inéditas e se encerram com o "esgotamento" público delas. Em outras palavras, seu mais novo CD e DVD, Mormaço, representa o fim de mais uma etapa na vida do cantor e compositor, iniciada com a depuração de Toque Dela (2011), segundo álbum solo de sua carreira.

"É preciso dar um tempo para fazer um disco novo. Logo vou ter este espaço para reflexão", diz em entrevista por telefone ao Estado.

O registro audiovisual apresenta show de sua mais recente turnê, quando encarou o palco no inédito formato voz e violão. Toda aquela euforia remanescente da época do Los Hermanos deu vez a uma dinâmica mais silenciosa com a plateia, devidamente acomodada em cadeiras de salas de concerto.

Neste DVD, o cenário é o Theatro São Pedro, de Porto Alegre. "O meu outro DVD foi em Salvador. Eu achei que era um bom contraponto", explica.

Abraçado em seu violão de nylon, Camelo reveza faixas da carreira solo com as da época do Los Hermanos. Duas são inéditas: Luzes da Cidade e Dois em Um. Há, ainda, a divertida Porta de Cinema, de autoria de seu avô, Luiz Souza, e que já havia sido gravada no disco solo de seu tio, Bebeto Castilho (baixista do Tamba Trio).

Ao lado da mulher, Mallu Magalhães, eles promovem um dos momentos mais celebrados do espetáculo, quando dividem o microfone na canção Sambinha Bom, de Mallu. "A gente acaba passando um pouco alheio a essa impressão que causa a ideia de estarmos juntos em cena. É quase inocente pra gente, que acaba fazendo de um jeito a não medir as consequências. E é por isso que fica tão bonito."

Os dois também são protagonistas no documentário Dama da Noite, espécie de extra deste novo DVD. O filme tem direção do cineasta californiano Jack Coleman e reúne imagens do casal, dos amigos e da banda em momentos mais prosaicos. Não há contextualização de tempo e espaço, tampouco a presença de uma narrativa didática e informativa.

"Eu queria utilizar um discurso mais poético, menos direto, que fosse uma observação da minha música pelas sombras, pelos lugares menos iluminados, menos evidentes. Não queria que fosse um filme sobre as músicas, mas um filme com as músicas", define.

Em seu site oficial, o artista carioca publicou uma outra versão do material, editada por ele e mais dois integrantes da produtora envolvida com o projeto. Segundo Camelo, o trabalho cinematográfico conjuga referências como A Cor da Romã (Sayat Nova, 1968), do cineasta armênio Sergei Paradjanov e o documentário Step Across the Border, sobre a obra do músico experimental inglês Fred Frith.

Futuro. A imersão num universo mais acústico colocou o cantor em dúvida sobre os próximos passos: seguir só com o violão ou manter a dinâmica com uma banda? Até agora, o Hurtmold, grupo do baterista Maurício Takara, deu este respaldo para suas propostas estéticas. "Quando você consegue criar uma coisa nova, ou expressivamente única no violão, aquilo tem uma força transformadora seminal, da natureza mais primordial de minha música", afirma Camelo. "Eu fico meio perdido. Tem uma parte de mim que quer explorar este universo e outra que o rejeita."

No show que está no DVD, o dedilhar do violão ganha reforço quando o amigo suíço Thomas Rorher emprega sua rabeca em músicas como Dois Barcos. Marcelo o conheceu quando morava em São Paulo.

"É da natureza do improvisador livre, como ele, se misturar no que está acontecendo, ajudar a criar e a ressaltar as entrelinhas. Foi uma escolha que tem se revelado incrível", elogia.

Após cuidar dos últimos detalhes deste DVD, o músico ainda conjugou o período de férias com o ofício de produtor. Foi a Maceió no começo do ano cuidar do novo disco de Wado, que já está pronto e deve ser lançado em breve.

"Eu sou muito fã dele. É um dos grandes compositores do País", enaltece. "Sempre achei que faltava a ele um pouco da qualidade popular, não no discurso, mas no acabamento. Faltava um pouco de clareza na canção para que ela atravessasse as dissonâncias estéticas e os caprichos do ouvinte, entende?"

Agora, Marcelo Camelo quer retomar a vida cotidiana e descansar. "Estou mesmo precisando parar", revela. É só o tempo para começar um novo ciclo.

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