Regina Silveira interfere em caixa d´água no Arte/Cidade

A caixa d´água como metáfora paramotor ou coração que reativa todo o prédio da Torre Leste doBelenzinho. Foi a partir dessa idéia que a artista plásticagaúcha Regina Silveira desenvolveu seu projeto de intervençãopara o Artecidadezonaleste, que será aberto para o público nosábado, às 11 horas, na própria torre do Sesc Belenzinho. Caixa d´água, canos e uma enorme projeção de sombra, quesobe da base do antigo reservatório e vai atingindo todas asfachadas dos andares do prédio, entrando, até mesmo, para ointerior do segundo piso. "A projeção é somente um dos recursosutilizados. Na verdade, ela se transforma em uma espécie defluido que derrama pelo edifício", diz a autora de Cor, Cordis,título da intervenção. Regina Silveira tem um grande interesse sobre a questãoda projeção, artifício com que vem trabalhando desde a década de80. Como já descreveu a crítica Angélica de Moraes, a artista"tem seu trabalho identificado com a distorção dos códigosprojetivos de representação (perspectiva) e com a expansão desombras completamente arbitrárias que, em vez de indicar apresença do objeto, enunciam e comentam sua ausência". No casode Cor, Cordis, o objeto é a caixa d´água. Antes de executar sua obra, todo o projeto foimanipulado digitalmente com a colaboração do arquiteto CláudioBueno. E, na verdade, a projeção se transformou na sombra dasombra da caixa d´água. "O trabalho ficou sem limite. Misturadocom o ambiente, não há jeito de demarcá-lo", explica Regina. Aproporção tomada é tão grande que a sombra azul pode ser vistade todos os lugares da torre, além de também ser reconhecida darua e de um ponto da estação de metrô Belenzinho. Para compor a obra, primeiro foi feita uma base demadeira na caixa d´água, maneira de destacar o objeto. Depois,foram pintados em vermelho-púrpura, os tubos e canos que chegamao espaço onde se situa a caixa, "uma alusão ao sistemacirculatório". E, por fim, com uma pasta azul compostapor quartzo moído e um tipo de cola, foi feita a enormeprojeção. O azul, "cor da sombra durante o dia". A pasta tem a espessura de um pano e seu material aderea tudo, no ferro, no metal, no chão. Além disso, a pastapermite um rigor no desenho das sombras projetadas porcomputador.Segundo Regina, Cor, Cordis é um site specific, já que acaixa d´água deteriorada pelo tempo é tomada como um objeto dolugar e ainda há a questão da memória desse lugar que um dia foiuma fábrica. A memória, a ausência e a sombra. E a questão daprojeção está ligada ao seu interesse pela imagem. "Todos ostrabalhos se centralizam na construção de paradoxos visuais, nastransformações dos dados visuais. Acho que sempre trabalho poressa fresta", conclui Regina.

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