Coluna do Estadão
O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Regina Duarte e do Ministro da Secretaria de Governo Eduardo Ramos, durante encontro no Rio de Janeiro em que o presidente convidou a atriz para presidir a Secretaria de Cultura do governo federal Coluna do Estadão

Regina Duarte aceita fazer teste na Secretaria de Cultura de Bolsonaro

Atriz afirmou que 'estamos noivando', após encontro com o presidente; Regina estará em Brasília no cargo que era de Roberto Alvim

Mateus Vargas e Tânia Monteiro/ Brasília, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2020 | 15h11


A atriz Regina Duarte aceitou participar de uma fase de testes na Secretaria de Cultura de Jair Bolsonaro. Em comunicado enviado pela assessoria do Palácio do Planalto, o governo diz que ela estará em Brasília na quarta-feira no cargo que era de Roberto Alvim, demitido na sexta-feira passada.

"Após conversa produtiva com o presidente Jair Bolsonaro, Regina Duarte estará em Brasília na próxima quarta-feira, 22, para conhecer a Secretaria Especial de Cultura do governo federal. 'Estamos noivando', disse a artista após o encontro ocorrido nesta tarde no Rio de Janeiro", diz comunicado da Secretaria de Comunicação da Presidência.

O comunicado não deixa claro se ela aceitou o convite. 

Segundo apurou o Estado, a ideia do governo é que a atriz ajude a "pacificar" o setor, um dos pontos fracos neste início de gestão de Bolsonaro. A princípio, o governo deve manter a área da cultura com status de secretaria, descartando a ideia de recriar o Ministério da Cultura, extinto no início da gestão Bolsonaro. Regina ficará subordinada ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, mas com relação direta com o presidente, a exemplo do que já ocorria com Alvim.

Ao chegar em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “ficou noivo” da atriz Regina Duarte, que foi formalmente convidada para assumir a Secretaria Especial da Cultura nesta segunda-feira, 20. “Fiquei noivo da Regina Duarte. Fiquei noivo. Tivemos uma conversa muito boa”, declarou Bolsonaro. O presidente cumprimentou apoiadores e não quis responder outras perguntas da imprensa.

Para um interlocutor do presidente, a chance da atriz aceitar o convite é de 90%. "Quem fica noivo é para casar", brincou o auxiliar de Bolsonaro. A avaliação no Palácio do Planalto é de que a escolha pelo nome de Regina Duarte foi bem recebido entre os apoiadores do presidente.


Para Entender

Conheça a trajetória de Regina Duarte, nova secretária de Cultura

Contratada da TV Globo desde 1969 e colega de Rita Lee na juventude, atriz participou de várias novelas de sucesso


O comando da Cultura no governo federal está vago desde a última sexta-feira, 17, quando Bolsonaro cedeu a pressões e demitiu o dramaturgo Roberto Alvim, que havia parafraseado em um discurso o nazista Joseph Goebbels. Ao Estado, Alvim reconheceu a origem "espúria" da frase de seu discurso, mas disse assinar embaixo de ideia "perfeita" de Goebbels.

Regina Duarte já havia sido convidada para integrar o governo no início do ano passado, mas recusou. A atriz é uma das mais famosas apoiadoras do presidente Jair Bolsonaro e já elogiou a política do governo no setor. "Eu não estou preparada, não me sinto preparada para isso, acho que a gestão pública é uma coisa muito complicada e uma pasta como a da cultura muito mais", disse a atriz à rádio.


Para Entender

As idas e vindas da Cultura no governo Bolsonaro

Ministério foi extinto em janeiro para criação da Secretaria Especial de Cultura, que foi incorporada ao Ministério da Cidadania e, depois, ao do Turismo; trocas nas lideranças dos órgãos geraram críticas ao governo


A aproximação de Duarte com Bolsonaro começou ainda na campanha eleitoral de 2018. Na ocasião, a atriz visitou o então candidato em sua casa, no Rio de Janeiro, e imagens do encontro foram divulgadas nas redes sociais.

Quando Bolsonaro foi eleito, o ministro da  Cidadania, Osmar Terra, foi até São Paulo se encontrar com ela para discutir políticas do governo para a área da cultura.

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Conheça a trajetória de Regina Duarte, nova secretária de Cultura

Contratada da TV Globo desde 1969 e colega de Rita Lee na juventude, atriz participou de várias novelas de sucesso

Redação, O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2020 | 15h23

Nascida em Franca em 5 de fevereiro de 1947, filha de um tenente reformado do Exército e de uma dona de casa, Regina Blois Duarte começou a carreira televisiva na extinta TV Excelsior. Colega de Rita Lee na faculdade de comunicação da USP, seu primeiro papel em novelas foi em A Deusa Vencida (1965), de Ivani Ribeiro. Ela ganhou destaque na trama interpretando Malu, que é apaixonada pelo personagem de Tarcísio Meira. Quatro anos depois, foi para a TV Globo ser protagonista da novela Véu de Noiva, escrita por Janete Clair.

 

 

A atriz participou de tramas que marcaram a história da emissora, como Selva de Pedra (1972) e Carinhoso (1973). Após participar de Minha Doce Namorada (1971), ganhou o apelido de "Namoradinha do Brasil". Uma das novelas em que atuaria, Despedida de Casado (1977), escrita por Walter George Durst, foi proibida pela Censura e jamais foi ao ar. Em 1971, ela se mostrou como cantora, gravando um compacto (disco de 4 músicas) com temas de novela.

Em 1979, Regina atuou em Malu Mulher. O seriado criado por Daniel Filho marcou época ao mostrar uma mulher que se divorcia do marido e busca independência financeira para criar a filha. 

Após uma breve passagem pela Rede Manchete, onde atuou no seriado Joana, Regina voltou à Globo para fazer um de seus papéis mais icônicos: a extravagante Viúva Porcina de Roque Santeiro (1985), novela que havia sido proibida pela Censura em 1975.  Outra personagem que marcou época foi Raquel Accioli, de Vale Tudo (1988), que vende sanduíches na praia enquanto sua filha e arquirrival, a vilã Maria de Fátima (Glória Pires), investe em um casamento arranjado.

Nas últimas décadas, Regina atuou em várias novelas de Manoel Carlos. A mais marcante delas foi Por Amor (1997), em que atuou ao lado da filha Gabriela Duarte. Mãe e filha interpretaram, respectivamente, Helena e Maria Eduarda. Uma troca de bebês no fim da trama comoveu o Brasil e garantiu boa audiência.

A última novela em que Regina atuou foi Tempo de Amar (2017), escrita por Alcides Nogueira e Bia Corrêa do Lago.

Política. Na campanha presidencial de 2002, Regina apoiou o candidato José Serra (PSDB). Em um depoimento para o horário eleitoral de Serra, ela disse ter medo do que Lula, que estava na disputa, poderia fazer com o Brasil caso fosse vitorioso. Em 2018, ela se manifestou publicamente a favor da candidatura de Jair Bolsonaro em uma entrevista ao Estado. Segundo ela, Bolsonaro tem “humor brincalhão típico dos anos 1950, que faz brincadeiras homofóbicas, mas que são da boca pra fora, coisas de uma cultura envelhecida, ultrapassada”.

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Regina Duarte atacou STF e defendeu nome com 'experiência em gestão pública' para a Cultura

Convidada por Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial, atriz criticou a indicação de Roberto Alvim em 2019

Rafael Moraes Moura, Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2020 | 10h40

BRASÍLIA – Convidada pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial de Cultura, a atriz Regina Duarte criticou no ano passado a indicação do dramaturgo Roberto Alvim para o posto.  "Quem me conhece sabe que, se eu pudesse opinar, teria sugerido outro perfil. Alguém com mais experiência em gestão pública e mais agregadora da classe artística", publicou a artista em seu perfil pessoal no Instagram, em novembro do ano passado.

Agora, Regina está cotada para a vaga de Alvim, demitido do cargo após protagonizar um vídeo com referências ao nazismo. Segundo apurou o Estado/Broadcast, a ideia do Palácio do Planalto é levar um nome de peso, reconhecido no meio cultural, para assumir o posto, nos moldes da indicação de Gilberto Gil para o Ministério da Cultura no governo Lula. Caso Regina não aceite o convite, uma das opções cotadas é o ator Carlos Vereza.

Esta não é a primeira vez que uma atriz que estrelou novelas da Globo é sondada para assumir a Cultura. No governo Sarney, Fernanda Montenegro recusou um convite para comandar a pasta, que tinha status de ministério na época. Fernanda acabou se tornando alvo de ataques disparados por Alvim, que chamou a atriz de "mentirosa".

LAVA JATO

Ao longo dos últimos meses, Regina utilizou o perfil no Instagram para manifestar apoio ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e ao coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol. "Somos todos Sérgio Moro", publicou a atriz.

Se por um lado endossa as investigações de um esquema bilionário de corrupção na Petrobrás, Regina ataca o Supremo Tribunal Federal (STF) em suas redes sociais.  "STF. Guardião da Constituição ou da impunidade?" e "Lava Jato está correndo perigo nas mãos do STF" foram alguma das publicações no perfil da artista.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Tá bem claro ! Não...? ➡️

Uma publicação compartilhada por Regina (@reginaduarte) em

Ela também criticou os votos proferidos pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli, e pela ministra Rosa Weber contra a execução antecipada de pena, que permitiram que o tribunal derrubasse a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância - a medida foi considerada um dos pilares da Lava Jato no combate à impunidade. O resultado abriu caminho para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse colocado em liberdade.

"Votou contra o Brasil. Lástima" e "Rosa Weber vota contra o Brasil", escreveu Regina.

Em alinhamento com Bolsonaro, Regina já se mostrou favorável à flexibilização da posse de armas, uma das bandeiras eleitorais do presidente. "Se o registro de novas armas aumentou 50% em 2019, não deveria haver uma explosão de homicídios, como previam os 'especialistas' da extrema-imprensa? Ao invés disso, houve uma redução de 22% dos homicídios", diz a publicação compartilhada por Regina.

Em meio à polêmica com a retirada da divulgação de filmes brasileiros da sede e da página oficial da Ancine, a atriz usou o perfil para publicar cartazes de produções nacionais, como "Deus e o diabo na terra do sol", Tropa de Elite” e "Carlota Joaquina", marco da retomada do cinematografia nacional.

A atriz ainda criticou o documentário "Democracia em vertigem", de Petra Costa, indicado ao Oscar na última segunda-feira (13), que retrata a queda de Dilma Rousseff. "A verdadeira história sobre o impeachment foi feita por milhões de brasileiros nas ruas e Oscar nenhum vai reescrever nossa História", postou Regina.

Em 17 de dezembro, Regina publicou no Instagram um artigo da colunista Patricia Kogut, do jornal O Globo, que lamentava o fim da TV Escola. "O triste fim da TV Escola", era o título do texto da colunista.

FINANCIAMENTO

Em 2016, a peça "A visita da velha senhora", estrelada por Regina, tentou captar cerca de R$ 2 milhões via Lei Rouanet, dispositivo que tem sido alvo de duras críticas do presidente Jair Bolsonaro. Mas o sistema do Ministério da Cultura informa que nenhum valor foi efetivamente captado para financiar o projeto.

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Regina Duarte é convidada para a secretaria de Cultura de Bolsonaro

Uma das mais famosas apoiadoras do presidente Jair Bolsonaro, atriz havia criticado a nomeação de Alvim

Tânia Monteiro e Mateus Vargas, O Estado de S. Paulo

17 de janeiro de 2020 | 18h33
Atualizado 22 de janeiro de 2020 | 12h15

BRASÍLIA — A atriz Regina Duarte foi convidada para assumir a secretaria de Cultura do governo federal após a demissão de Roberto Alvim, demitido nesta sexta-feira depois de divulgar vídeo com discurso com referências nazistas. Em entrevista à Rádio Jovem Pan, a atriz disse estar avaliando ainda se aceita. Segundo apurou o Estado, a ideia do governo é levar um nome de peso, reconhecido no meio cultural, para assumir o posto.

"Estou com este convite, me assusta muito", afirmou Regina em entrevista à Jovem Pan. "Não é a primeira vez que sou convidada para esse cargo, me assusta muito, porque tem um ministério complicado aí (risos)..."

Regina Duarte já havia sido convidada para integrar o governo no início do ano passado, mas recusou. A atriz é uma das mais famosas apoiadoras do presidente Jair Bolsonaro e já elogiou a política do governo no setor. "Eu não estou preparada, não me sinto preparada para isso, acho que a gestão pública é uma coisa muito complicada e uma pasta como a da cultura muito mais", disse a atriz à rádio. Segundo ela, a resposta deve ser dada até segunda-feira.

 

 

A aproximação de Duarte com Bolsonaro começou ainda na campanha eleitoral de 2018. Na ocasião, a atriz visitou o então candidato em sua casa, no Rio de Janeiro, e imagens do encontro foram divulgadas nas redes sociais.

Quando Bolsonaro foi eleito, o ministro da  Cidadania, Osmar Terra, foi até São Paulo se encontrar com ela para discutir políticas do governo para a área da cultura. A atriz, segundo apurou o Estado, foi uma das defensoras de Alvim na época em que ele assumiu uma diretoria da Fundação Nacional das Artes (Funarte), cargo que ocupou antes de ser alçado a secretário.

Em novembro, no entanto, quando Alvim assumiu a Secretaria de Cultura, ela criticou a nomeação de Alvim. Nas redes sociais ela elogiou a decisão de Bolsonaro em mudar a pasta de ministério (da Cidadania para o Turismo), mas também disse não 'aprovar' totalmente a escolha do ex-diretor da Funarte para o cargo.

"Não posso dizer que aprovo esta nomeação. Quem me conhece sabe que se eu pudesse opinar, teria sugerido outro perfil de pessoa para ocupar cargo de tal responsabilidade. Alguém com mais experiência em gestão pública e mais "agregadora" da classe artística", escreveu na época.

Não é a primeira vez que a atriz se envolve na política. Em 2002, Regina Duarte foi destaque da campanha “Eu tenho medo”, contra a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. No vídeo da propaganda eleitoral do então adversário de Lula, o tucano José Serra (PSDB), a atriz declarou que tinha “medo” de Lula e que estava preocupada com um possível retrocesso na área econômica com a vitória do PT.

Há mais de 50 anos na televisão brasileira, Regina Duarte contou em entrevista ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, em maio do ano passado, que após declarar apoio a Bolsonaro passou a ser chamada de "fascista".  “Em 2002, fui chamada de terrorista e hoje sou chamada de fascista, olha que intolerância?”, desabafou na ocasião. 

A atriz afirmou que sente uma certa censura por parte de pessoas que são oposição. “E eu achando que vivia em uma democracia, onde eu tenho o direito de pensar de acordo com o que eu quero. Eu respeito todo mundo que pensa diferente de mim. Não saio xingando as pessoas por aí”, disse à época.

Na mesma entrevista, a atriz afirmou que estava escrevendo uma biografia, relembrou trabalhos históricos na TV, como a série Malu Mulher, e a participação em novelas, sempre no papel de Helena. 

Sobre o protagonismo de Regina Duarte interpretando Malu, uma personagem essencialmente feminista e contra os ditos valores morais da época, a atriz revelou: “Eu nunca me declarei feminista, mesmo fazendo a Malu (a série Malu Mulher). Eu não acho que as coisas são por aí. Acredito que há caminhos intermediários. Eu fui e continuo conservadora. Eu só tenho medo de ficar velhinha e dizer: ‘Ah, esse mundo está perdido!’. Que horror!”, concluiu.

 

Outros nomes são cotados: André Sturm e Josias Teófilo

Além da atriz, outros dois nomes foram citados nos bastidores por integrantes do governo como possíveis substitutos de Alvim na Secretaria de Cultura. São eles André Sturm, atual secretário de Audiovisual do governo federal, e Josias Teófilo, diretor de O Jardim das Aflições, que retrata as ideias do escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo.

O Estado apurou que Sturm está em São Paulo e não procurado. Antes de entrar no governo federal, em dezembro, ele havia sido secretário de Cultura do governo de João Doria (PSDB) na cidade de São Paulo.

O próprio Alvim convidou Sturm ao governo de Jair Bolsonaro durante um almoço na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele foi anunciado à época como nome de "conciliação" em meio a atritos do então chefe da Cultura com o setor.

Já Teófilo é lembrado no governo por ter sido cotado a secretário do Audiovisual do governo no passado. Ele defendeu nesta sexta-feira, 17, nas redes sociais, a saída de Alvim do cargo e disse que rompeu com o então secretário quando Katiane Gouvêa foi nomeada ao governo. "Ele a demitiu e me ligou pedindo desculpa e pedindo indicação para a Secretaria do Audiovisual. Me neguei a indicar um nome porque sabia da gravidade da situação", disse Teófilo.

Pessoas da área de cultura do governo afirmam estar assistindo ao "bombardeio" causado pelo discurso de Alvim. Eles afirmam estar à espera de uma definição sobre para onde caminhará a pasta. A dúvida é se Bolsonaro dobrará a aposta em nome conservador, discípulo de Olavo de Carvalho, ou se apostará em alguém mais “técnico”, e que não seja uma usina de polêmicas.

Existe ainda indefinição sobre o futuro da equipe trazida por Alvim para a Cultura. Entre eles, Sérgio Camargo, que disse existir um “racismo nutella” no Brasil e teve nomeação à Fundação Palmares suspensa pela Justiça.

A saída de Alvim deixa pontas soltas na Cultura. No fim do mês, o Conselho Superior de Cinema se reuniria para direcionar incentivos ao setor. A situação agora é de "insegurança".

Há ainda indefinições sobre o Prêmio Nacional das Artes, anunciado com o discurso que causou a queda de Alvim, que distribuiria cerca de R$ 20 milhões. Além disso, apesar do comando da Cultura ter sido levado ao Ministério do Turismo, ainda falta um decreto para levar cargos comissionados à pasta de Marcelo Álvaro Antônio.

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Regina Duarte terá de suspender contrato com a Globo para assumir Secretaria de Cultura

Política interna da emissora não permite que artista com contrato vigente ocupe cargo público

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2020 | 16h30

Regina Duarte aceitou participar de uma fase de testes no cargo de secretária da Cultura do governo federal nesta segunda-feira, 20.  Para assumir a pasta, no entanto, a atriz terá de suspender seu contrato com a Rede Globo.

'A atriz Regina Duarte tem contrato vigente com a Globo e sabe que, se optar por assumir cargo público, deve pedir a suspensão de seu vínculo com a emissora, como impõe a nossa política interna de conhecimento de todos os colaboradores.', informou o departamento de Comunicação da Globo.

 

 

A escolha da atriz para a Secretaria de Cultura ocorre depois de um episódio conturbado que acabou com a demissão de Roberto Alvim da pasta na última sexta-feira. Segundo apurou o Estado, a ideia do governo é que a atriz ajude a "pacificar" o setor, um dos pontos fracos neste início de gestão de Bolsonaro.

 

Para Entender

As idas e vindas da Cultura no governo Bolsonaro

Ministério foi extinto em janeiro para criação da Secretaria Especial de Cultura, que foi incorporada ao Ministério da Cidadania e, depois, ao do Turismo; trocas nas lideranças dos órgãos geraram críticas ao governo

 

Nesta segunda, após encontro com o presidente Jair Bolsonaro, a Secretaria de Comunicação da Presidência emitiu o seguinte comunicado: 

"Após conversa produtiva com o presidente Jair Bolsonaro, Regina Duarte estará em Brasília na próxima quarta-feira, 22, para conhecer a Secretaria Nacional de Cultura do governo federal. 'Estamos noivando', disse a artista após o encontro ocorrido nesta tarde no Rio de Janeiro."

O comunicado não deixa claro, no entanto, se ela aceitou o convite. 

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Regina Duarte se destacou nos últimos anos por manifestações pontuais, mas marcantes, na política

Alinhada à direita, a 'namoradinha do Brasil', como também ficou conhecida, recebeu de Bolsonaro o convite para cuidar da área cultural do País

DANIEL FERNANDES, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2020 | 12h00

Atriz marcada por personagens inesquecíveis da teledramaturgia brasileira, como a Raquel de Vale Tudo e a Viúva Porcina de Roque Santeiro, e sem atuar desde 2017, Regina Duarte se notabilizou nos últimos anos por manifestações pontuais, mas marcantes, na política nacional.

A secretária de Cultura em teste do governo Jair Bolsonaro ganhou notoriedade no debate político durante a campanha que elegeria Luiz Inácio Lula da Silva pela primeira vez, em 2002. A atriz gravou um vídeo em que admitia ter medo de um governo petista por temer a perda de estabilidade conquistada pelos governos tucanos. Lula venceria aquela eleição ao acenar, justamente, para aqueles que tinham medo. 

Mais recentemente, já com Lula preso, em 2018, a atriz voltou à cena em outra corrida presidencial ao afirmar que a “homofobia de Bolsonaro é da boca para fora”

 

Alinhada à direita, a “namoradinha do Brasil”, como também ficou conhecida, recebeu justamente de Bolsonaro o convite para cuidar da área cultural do País. Demonstrando uma habilidade política incomum para artistas, saiu-se com essa: vai testar Brasília e ver se o noivado com o poder engata um casamento duradouro.

Essa habilidade inicial será colocada à prova já nos primeiros dias, pelo menos a julgar pelos pedidos da classe artística. Se não há com Regina Duarte o medo despertado pelos atos e posturas do ex-secretário Roberto Alvim, existe a desconfiança, o pé atrás. Nelson Motta foi quem deu o tom: “Duvido que Bolsonaro lhe dê autonomia. Mas... vai que dá?”

 

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Conheça a trajetória de Regina Duarte, nova secretária de Cultura

Contratada da TV Globo desde 1969 e colega de Rita Lee na juventude, atriz participou de várias novelas de sucesso

 

Com o virtual sim desta segunda-feira, a trajetória de 50 anos de Regina na TV Globo chegará ao fim– a emissora avisou que seu contrato será suspenso em caso de ida para o governo. Colega de Rita Lee na faculdade de Comunicação da USP, seu primeiro papel em novelas foi em A Deusa Vencida (1965), de Ivani Ribeiro, na extinta TV Excelsior. Depois, foi para a TV Globo ser protagonista da novela Véu de Noiva, escrita por Janete Clair. Em 1979, ganharia protagonismo nacional com Malu Mulher, uma série em que vivia uma mulher que acabara de se divorciar e, por isso, enfrentava os preconceitos da época.

Em 1985, fez um de seus papéis mais icônicos: a extravagante Viúva Porcina de Roque Santeiro. A novela fora proibida pela censura dez anos antes. Betty Faria, escalada para ser Porcina em 1975, não quis mais. Regina aceitou, e o papel lhe marcou a vida. O desafio agora parece substancialmente maior. Mas... vai que dá? 

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Na cultura, Regina Duarte enfrentará orçamento reduzido e colapso na Ancine

Uma radiografia na pasta feita por atuais e ex-integrantes da secretaria aponta que uma das piores situações está na Ancine; Estudo interno da agência, obtido pelo 'Estado', afirma que unidades de fomento estão operando 'em estado crítico'

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2020 | 20h00

BRASÍLIA - Se aceitar o comando da Secretaria Especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro, a atriz Regina Duarte enfrentará orçamentos reduzidos e um cenário que beira o colapso em alguns dos órgãos que ficarão sob o seu guarda-chuva. Uma radiografia na pasta feita por atuais e ex-integrantes da secretaria aponta que uma das piores situações está na Agência Nacional do Cinema (Ancine). Estudo interno da agência, obtido pelo Estado, afirma que as unidades de fomento estão operando “em estado crítico”.

 

 

No documento, enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), o órgão argumenta que teria de contratar mais 184 servidores e reduzir drasticamente os recursos liberados, distribuindo 10% do fomento indireto (via Lei Rouanet e outros incentivos fiscais) e 20% do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) em relação ao patamar atual. Estas medidas seriam necessárias para equilibrar em quatro anos a avaliação de novos processos de financiamento que chegam à Ancine e vencer uma fila superior a 4 mil análises de obras que já receberam recursos. O documento é de meados de 2019, mas segundo o Estado apurou, o cenário pouco se alterou desde então.

A dificuldade operacional da Ancine ainda faz com que o número de deliberações de processo por ano caia, mas a fila de análises pendentes cresça. Em 2017 havia 1816 casos a serem analisados -- e apenas 232 concluídos. Já em 2019, a fila subiu para 4164, mas apenas 23 processos foram conferidos pelos servidores.  Na cúpula do órgão, metade das quatro cadeiras de diretores está ocupada, sendo que um dos nomes é substituto. O presidente da agência, Alex Braga Muniz, também ocupa o cargo interinamente desde que Christian de Castro Oliveira foi afastado pela Justiça.

Para Henrique Pires, o primeiro secretário de Cultura no governo Bolsonaro, uma das primeiras medidas do novo chefe da pasta deve ser reestruturar a agência. 

"A estrutura da cultura, quando funciona, tem impacto econômico muito grande. Se trava, as pessoas não têm atividade econômica. É preciso calibrar a máquina", afirmou ex-secretário.

 

Orçamento reduzido

Os recursos reservados para a área de cultura no Orçamento deste ano também foram reduzidos. Serão R$ 320 milhões ao todo. Para fins de comparação, no Orçamento de 2019, elaborado quando a cultura ainda tinha status de ministério na estrutura do governo, o valor destinado foi de R$ 2 bilhões.

Apesar do aperto, a pasta trabalha para a liberação de R$ 438 milhões do Fundo Nacional da Cultura que estão contingenciados. A ideia é que os valores sejam usados para conseguir empréstimos com bancos, mas ainda exige que “seja criado um regramento e definido um ou mais agentes financeiros”, afirma a Secretaria Especial de Cultura.

Alguns órgãos, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), dependerão exclusivamente de emendas parlamentares para investimentos. O orçamento do órgão é 67% menor em 2020, de R$ 73 milhões, voltados para ações de preservação do patrimônio e obras, mas nada previsto para investimento.

O Estado apurou que a cúpula do instituto ainda está mapeando o que terá de ser revisto com orçamento mais baixo, mas já sabe que terá de interromper boa parte das cerca de 100 obras em andamento pelo País em prédios históricos e sítios arqueológicos.  Bolsonaro já indicou também que pode esvaziar as funções do Iphan pelo poder do órgão de embargar obras.

 

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As idas e vindas da Cultura no governo Bolsonaro

Ministério foi extinto em janeiro para criação da Secretaria Especial de Cultura, que foi incorporada ao Ministério da Cidadania e, depois, ao do Turismo; trocas nas lideranças dos órgãos geraram críticas ao governo

 

Na Fundação Cultural Palmares, a principal indefinição é sobre a escolha de novo presidente. Alvim tentou emplacar no cargo o jornalista Sérgio Camargo, mas a Justiça suspendeu a sua nomeação. Ele foi alvo de críticas ao afirmar, por exemplo, que existe um “racismo nutella” no Brasil e que não cortaria o apoio ao Dia da Consciência Negra.

Outra situação delicada está na Fundação Casa de Rui Barbosa. Pesquisadores têm protestado por exonerações e dispensas anunciadas pela presidente do órgão, a jornalista e roteirista de TV Letícia Dornelles. Ela nega o “desmonte do setor de pesquisa” e diz ainda que “quem espalha esse tipo de futrica só quer tumultuar”. Além da disputa de poder, a sede da fundação tem problemas estruturais com dutos de água e esgoto que podem estourar – o órgão chegou a entrar na Justiça para pedir o conserto.

Na Fundação Biblioteca Nacional, o acervo enfrenta a falta de investimentos de atualização e preservação. A fundação é presidida por Rafael Nogueira, escolhido por Alvim, olavista e simpatizante da monarquia.Recentemente, a casa passou por uma reforma orçada em R$ 10 milhões, valor inferior ao de muitos livros guardados em suas estantes de aço e jacarandá.

 

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Se aceitar, Regina Duarte vai ganhar R$ 17 mil por mês; na Globo, salário pode chegar a R$ 120 mil

Nesta quarta-feira, 22, a atriz esteve em Brasília para conhecer o funcionamento da Secretaria Especial da Cultura

Julia Lindner/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2020 | 10h26
Atualizado 23 de janeiro de 2020 | 10h12

Se aceitar assumir a Secretaria Especial da Cultura, a atriz Regina Duarte vai receber R$ 17.327,65 por mês. Esse é o salário de um cargo de natureza especial, nome técnico da vaga nas classificações de funções em Brasília.

É o mesmo cargo de Roberto Alvim, demitido pelo presidente Jair Bolsonaro depois que publicou um vídeo nas redes sociais parafraseando Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista.

Segundo o Portal da Transparência, Alvim recebeu R$ 15.359,19 como remuneração básica em novembro, já que assumiu o cargo em 7/11. Além da remuneração básica, ele recebeu R$ 4.807,41.

O Estado apurou que Regina tem salários mensais de R$ 200 mil na Globo, figurando no primeiro time dos contratados. A atriz de 72 anos não aparece em novelas da Globo desde março de 2018, quando encerrou Tempo de Amar, trama das seis em que interpretava uma dona de bordel.  Se aceitar o cargo público, Regina tem que suspender seu contrato com a emissora. De acordo com o a assessoria de imprensa da emissora carioca, Regina Duarte ainda não formalizou sua saída da Globo.

Nesta quarta-feira, 22, a atriz esteve em Brasília para conhecer o funcionamento da Secretaria Especial da Cultura. Regina Duarte pareceu “animada”, fez selfies, conheceu possíveis colegas de trabalho e marcou reuniões de trabalho, segundo pessoas que acompanharam o primeiro dia de "teste" dela em Brasília. No entanto, ela não teria feito longos discursos ou dado sinais claros sobre se “casará” com o governo - o que, no jargão adotado por ela e Bolsonaro, significa aceitar o cargo de chefe da Cultura.

 

 

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