Reforma de igreja em Itu revela pinturas raras

A equipe credenciada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para restaurar a igreja de Nossa Senhora da Candelária, em Itu, descobriu pinturas raras escondidas há mais de um século sob as camadas de tinta de uma parede. Numa primeira análise, a obra foi atribuída ao artista sacro José Patrício da Silva Manso, o mesmo que pintou o forro da nave do altar-mor há cerca de 200 anos.Manso é um dos principais mestres da pintura barroca brasileira, ao lado de Jesuíno do Monte Carmelo. A igreja foi construída entre 1770 e 1780 e é tombada pelo Iphan. O engenheiro Jair de Oliveira, da Curadoria do Patrimônio Histórico da Candelária, acredita que as pinturas são uma extensão dos afrescos do forro. "Se isso for confirmado, teremos a nossa Capela Sistina paulista", disse, numa referência à obra de Michelangelo, na Itália. A descoberta ocorreu quando a equipe do restaurador Júlio Moraes removia camadas de tinta branca da parede lateral da nave, revestida com madeira "Debaixo de quatro ou cinco camadas, surgiu uma pintura em tons azuis, como as do forro."Cientes da importância do achado, os restauradores interromperam os serviços. "Haverá necessidade de uma prospecção mais detalhada", disse Oliveira. Nas mesmas paredes, estão afixadas as 12 telas com passagens da vida de Jesus Cristo, pintadas por Monte Carmelo, que foi discípulo de Manso. O estudos iniciais sobre os afrescos estão sendo feitos pelo professor e especialista em arte barroca Percival Tirapeli, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Moraes considera a descoberta "um fato novo extraordinário" para a história da arte brasileira. "Embora existam alguns registros de pinturas assim nos tempos da colônia, não havia sobrado nenhuma igreja que ainda as tivesse. Mas agora verificamos que sobrou, sim, em Itu."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.