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Reestreia de filme e caixa de DVDs marcam 50 anos da morte de Marilyn

'Quanto Mais Quente Melhor', do diretor Billy Wilder, pode ser revisto hoje em cópia nova

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

03 de agosto de 2012 | 03h09

Billy Wilder, que a dirigiu em dois de seus melhores filmes - O Pecado Mora ao Lado e Quanto Mais Quente Melhor -, dizia que Marilyn Monroe sabia criar o inferno num set de filmagem. Vivia sempre atrasada, esquecia o texto, tinha flutuações de humor. Uma simples cena de Quanto Mais Quente Melhor teve de ser repetida 50 vezes. E daí, perguntava o próprio Wilder? Na tela, Marilyn nunca é menos que esplendorosa. Um ícone de sexualidade. MM já era mito quando morreu, sozinha, em 5 de agosto de 1962, de uma dose excessiva de barbitúricos. Há controvérsia se foi um simples acidente, se quis se matar e até se foi assassinada. Marilyn estaria tendo um envolvimento com o presidente John Kennedy, já se havia envolvido com gângsteres e isso criava um problema para a Casa Branca.

Completam-se no domingo 50 anos da morte de Marilyn Monroe. O fato de ela haver morrido aos 36 anos, e em plena exuberância, certamente contribuiu para a permanência do mito. O público nunca teve outra imagem de Marilyn para cotejar. Pense em Marilyn e ela virá sempre jovem, eternamente bela como Chérie em Nunca Fui Santa, de Joshua Logan, ou Sugar em Quanto Mais Quente Melhor - sacudindo o bumbum em sua primeira cena, quando corre na estação de trens e a câmera segue colada em seu traseiro. Ou então naquele vestido cheio de brilhos (e que ressalta as formas voluptuosas) quando canta Happy Birthy, Mr. President - para John Kennedy.

É um dos mistérios do cinema. Como símbolo de vida, eterniza a imagem. Mas a própria imagem faz dele um signo de morte, porque ela não muda, repete-se ao infinito. Marilyn, eternamente jovem. É assim que ela ressurge em Quanto Mais Quente Melhor, que reestreia hoje em cópia nova, e também será vista no domingo, na maratona de sete filmes programada pelo canal TCM para lembrar sua morte. E até num pacote de DVDs, uma caixa Marilyn. Um parêntese - curiosa trajetória, a do próprio Billy Wilder. Colaborador de Ernst Lubitsch, de quem foi roteirista, ele se afirmou primeiro no film noir, antes de fazer sua opção pela comédia.

Ela raramente é romântica, para Wilder - Sabrina, talvez. É quase sempre cínica e, sempre, virulenta. Quanto Mais Quente Melhor ostenta a fama de ser a melhor comédia de Hollywood em todos os tempos, escolhida pelo American Film Institute. Jack Lemmon e Tony Curtis fazem músicos que testemunham um acerto de contas entre gângsteres, na Chicago dos anos 1920. Eles fogem e, para se esconder, travestem-se como mulheres numa orquestra de 'senhoritas' - e na qual Marilyn, como Sugar, toca banjo (e é mesmo um docinho). Curtis apaixona-se e, para impressioná-la, disfarça-se como milionário. Lemmon permanece como 'mulher' e, como tal, desperta a paixão de Joe E. Brown. Para tentar dissuadi-lo, retira o disfarce e mostra que é homem. Não faz mal, "ninguém é perfeito", retruca Brown, o lendário Boca Larga.

Wilder baseou-se numa comédia francesa, Fanfarre d'Amour, e o sucesso de Quanto Mais Quente Melhor foi tão grande que originou um musical da Broadway - centrado na personagem de MM e, por isso mesmo, chamado Sugar. Marilyn Monroe nasceu Norma Jean Mortenson em 1926. Nunca conheceu o pai biológico e a mãe, uma editora de filmes, morreu louca, internada num hospício. A própria Marilyn seria meio desequilibrada. Era o que sustentava Roy Ward Baker, que lhe deu seu primeiro papel de protagonista em Almas Desesperadas - o de uma babá assassina. Ele chegou a dizer que nunca sabia se Marilyn estava representando, ou simplesmente fazendo o papel.

Almas Desesperadas é de 1952 e Marilyn já fizera pequenas, mas importantes participações em dois clássicos de 1950 - O Segredo das Joias, de John Huston, e A Malvada (All About Eve), de Joseph L. Mankiewicz. Conta a lenda que, depois de posar para um calendário, ela tentou fazer carreira no cinema, mas, na puritana Hollywood da época, uma mulher que posara nua não podia ser estrela. Marilyn teria entrado na Fox para ser 'atendente', em duplo sentido, de astros.

O próprio Darryl Zanunck, tycoon do estúdio, teria tentado, a todo custo, impedir sua ascensão, mas uma vez que o público descobriu Marilyn, passou a pedir mais e mais. Ela virou estrela. Exalava sexualidade. Era como se Greta Garbo se despisse da aura de esfinge para ser fêmea. O mais incrível é que a nova geração parece não achá-la tão sexy assim. Uma recente votação na internet apontou Jennifer Aniston como a mulher mais sexy do mundo, à frente de Angelina Jolie. Marilyn veio bem atrás das duas.

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