Reduto para o contemporâneo

Marcelo Araujo fala do projeto de construir um edifício para abrigar esse segmento do acervo

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

Não existe videoarte no acervo da Pinacoteca do Estado, mas o museu, atualmente, com cerca de 8 mil obras em sua coleção, não vive problemas para aquisição, como afirma o diretor da instituição, Marcelo Mattos Araujo, que assumiu o cargo em 2002. O projeto de reformulação da exibição do acervo da Pinacoteca, que começa agora e continuará nos próximos anos, incluindo novos espaços para além do prédio na Praça da Luz, é resultado, como ele diz na entrevista a seguir, da maturidade do trabalho de equipe da instituição.

Já faz oito anos que você as-

sumiu a direção da Pinacoteca.

A reorganização do acervo po-

deria ter sido feita antes? Era uma preocupação sua quando entrou no museu?

Não, é um projeto que surgiu depois, internamente, a partir de conversas com a equipe toda e a partir de avaliações que foram sendo feitas da própria exposição. As primeiras conversas começaram em 2004. É uma alimentação que as instituições museológicas precisam para se repensar e rever sua relação com o público. É um processo muito importante para a instituição no sentido de pensar uma maturidade da equipe técnica do museu.

Então foi um processo alavancado a partir dos novos edifícios do museu?

Isso foi pensado a partir dessa perspectiva dos novos edifícios. Incorporamos a Estação (Pinacoteca, no Largo General Osório) em 2004 e agora estamos trabalhando com a perspectiva da criação da Pinacoteca Contemporânea.

Em que ponto está o projeto da Pinacoteca Contemporânea?

Está andando. A ideia é que o prédio possa ser no Parque da Luz, no local hoje ocupado pela Escola Estadual Prudente de Moraes. É um edifício que vai ser construído especialmente para abrigar a nossa coleção de arte contemporânea. Mas isso tem etapas prévias. Porque é preciso construir um edifício para a escola, nas proximidades. Nossa perspectiva é que daqui a dois ou três anos possamos começar a próxima etapa de exposição do acervo, mas tudo vai depender da dinâmica dos novos espaços.

Acredita que exista uma vontade de mudança do perfil da Pinacoteca do Estado?

De maneira nenhuma. Ao contrário, trabalhamos a partir do perfil que a Pinacoteca tem, que é justamente essa visão de que o contemporâneo é fundamental para estabelecer relações com as produções históricas já institucionalizadas.

O acervo contemporâneo cresceu mais nos últimos tempos?

Tem crescido, mas de obras históricas também. Recebemos uma verba de R$ 1,5 milhão da Secretaria para aquisição de acervo, mas ela foi direcionada, pelo conselho do museu, para compra de obras da década de 1960.

Umas das necessidades é diminuir a dinâmica das mostras temporárias?

Chegamos a fazer quase 40 exposições por ano e uma avaliação que tivemos é que algumas mostras tinham duração insuficiente. Para 2011, temos programadas 28 mostras.

Acervo histórico

A Pinacoteca do Estado foi inaugurada em 1905

500 mil visitantes estiveram apenas no prédio da Praça da Luz em 2009

19 milhões de reais é o orçamento do museu para 2010 investido pela Secretaria de Estado da Cultura (deles, R$ 1,5 milhão foi destinado para aquisição do acervo e o mesmo montante para o projeto de reformulação da exposição da coleção do museu)

600 obras, aproximadamente, das 8 mil peças da coleção, estarão na primeira mostra do acervo a partir de abril de 2011

O QUE VAMOS VER EM 2011

Caravaggio

O grande destaque de 2011 será a mostra prevista para o fim do ano na Pinacoteca Luz com obras do pintor do barroco italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) e de artistas seguidores do mestre. A exposição, organizada por Fábio Magalhães, vai reunir obras de diversos acervos italianos como parte do que está se firmando como Ano da Itália no Brasil.

Ródtchenko

Em fevereiro chegará à Pinacoteca Luz a exposição Aleksandr Ródtchenko - Revolução na Fotografia, que será inaugurada agora, dia 4, no Instituto Moreira Salles do Rio. A mostra apresenta as criações fotográficas do artista considerado um dos principais nomes da vanguarda construtivista russa do século 20.

Paula Rêgo

A artista portuguesa, nascida em 1935, terá, a partir de março, mostra que traça panorâmica sobre sua produção.

Estação

O prédio do Largo General Osório abrigará mostras do espanhol Antoni Muntadas, de artistas contemporâneos do Peru e exposição feita em parceria com o prêmio BESFoto.

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