Recursos parecem visar mais a adultos do que a crianças

Crítica: Luiz Carlos Merten

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h08

Chris Miller admite na entrevista que muita coisa no humor de O Gato de Botas pertence ao universo adulto e foi feita de olho na química entre Antonio Banderas e Salma Hayek, que fornecem as vozes para o casal de felinos. A própria tecnologia, os vertiginosos voos rasantes da câmera sobre as pradarias e desertos - um recurso de que Paul W. Anderson também se vale na live action Os Três Mosqueteiros -, talvez se destine muito mais a embasbacar adultos do que agradar às crianças, mas essas não terão do que se queixar em termos de movimento nem fantasia. Miller, afinal, incorpora outro famoso relato infantil - João e o Pé de Feijão - ao seu Gato de Botas.

Como experiência visual, o filme é impressionante, mas, considerando-se que o roteiro foi escrito ao longo de três anos e meio, não há como não constatar que o Gato começa bem, termina bem, mas tem um miolo meio enrolado, ou atravancado. Neste sentido, decepciona, mas o que o Gato confirma, em definitivo, é que a animação, tantas vezes chamada de oitava arte, ocupa hoje um nicho muito especial, e rentável, do cinema. Até os diretores de animação estão se transferindo para a live action. Brad Bird, do admirável Ratatouille, acrescenta mais um episódio eletrizante à série Missão Impossível - Protocolo Fantasma estreia na semana do Natal.

O lado 'adulto' de O Gato de Botas é perfeitamente palatável. Mas, só para a sua informação, infantis como O Gato e Os Muppets andam na mira das instituições nos EUA. Uma organização de direita está acusando a nova aventura de Miss Piggy de tentar ressuscitar o comunismo, ao transformar o capitalista em vilão da história. Seria uma lavagem cerebral à inversa. Dentro do mesmo princípio, o Gato e sua felina preparam o público para as arte(manha)s da sedução e do sexo.

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