Recurso garante Napster no ar

Faltando poucas horas para encerrar suas atividades, o Napster conseguiu uma importante vitória na Justiça dos Estados Unidos. Dois juízes federais acataram nesta sexta-feira o recurso da empresa e garantiram, pelo menos por enquanto, a permanência no ar de seu serviço de troca de música digital pela Internet. O popular serviço virtual tinha até as 4 horas de sábado (pelo horário de Brasília) para tirar seus servidores do ar. A punição foi emitida ontem, pela juíza Marilyn Hall Patel, que decidiu a favor da Associação da Indústria Fonográfica da América (RIAA, em inglês), que acusa o Napster de violar a lei de direitos autorais. Funcionários do Napster comemoraram muito ao ouvir a decisão do painel da 9ª Corte Federal de Apelações, disse uma porta-voz da empresa. Antes de o recurso ser acatado, dezenas de milhares de usuários indignados prometeram boicotar a indústria fonográfica em retaliação ao processo. "A indústria fonográfica é uma máfia", disse Christian Viveros, músico amador de 37 anos encontrado em uma sala de bate-papo na Internet.Em uma página na Internet, mais de 60.000 pessoas aderiram a um abaixo-assinado eletrônico prometendo não comprar CDs até que a Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos, (RIAA, em inglês) retirasse o processo contra o Napster. Isso poderia custar US$ 1 milhão à indústria fonográfica se cada uma das pessoas se recusasse a comprar apenas um CD, que custa em média US$ 15.A Napster optou por um protesto mais pacífico e, para provar que seu serviço não é tão prejudicial às gravadoras, pediu para que seus 22 milhões de usuários promovam uma grande compra de CDs, principalmente dos artistas que vêm apoiando a empresa, neste fim de semana. Um estudo divulgado recentemente pela consultoria Jupiter Communications também indica que os usuários do Napster tendem a comprar mais discos do que aqueles que não usam o serviço.Enquanto a decisão a favor do Napster não saía, os internautas procuravam por programas alternativos para compartilhar arquivos digitais contendo músicas pela rede mundial de computadores. Muitos clones do Napster, como o Gnutella, o Freenet e o Scour Exchange, ainda continuam em atividade e o tráfego de dados nesses serviços aumentou consideravelmente desde ontem.A Napster tornou-se um alvo fácil para o processo porque os usuários trocam arquivos de músicas através de mais de 100 provedores com o programa da empresa. Patel afirmou que a empresa, que revolucionou a distribuição de música, estava estimulando "a infração das vendas no atacado" e violando os direitos autorais da indústria fonográfica. Ao expedir o mandado ontem, a juíza Patel citou a estimativa de que 70 milhões de pessoas estariam utilizando o Napster até o final do ano caso esse serviço não fosse suspenso.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.