Recuperadas 30 das fotos raras roubadas no Rio

Cerca de 30 das 150 fotografias de enorme valor histórico roubadas do acervo de obras raras da Biblioteca Nacional, datadas da segunda metade do século 19, foram recuperadas por agentes federais com comerciantes de antigüidades. Provavelmente, eles venderiam o material a colecionadores. A Polícia Federal acredita que o furto foi permitido pela conivência de um ou mais funcionários e por falhas no sistema de segurança da instituição, que é a oitava maior biblioteca do mundo e abriga a mais importante coleção de fotos antigas do Brasil. O delegado Deuler Rocha, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF, que investiga o caso, disse que "é praticamente impossível" que o ladrão tenha agido sem a colaboração de alguém que trabalha na biblioteca, uma vez que o acesso à sala onde ficavam as fotos é restrito. O sumiço se deu durante a greve dos servidores federais da área cultural, que começou em abril e terminou na semana passada.Ontem de manhã, três equipes de agentes da PF, munidos de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, conseguiram localizar 20% das fotos, em duas residências, nas zonas norte e sul da cidade. Cinco pessoas foram conduzidas à delegacia para prestar esclarecimentos, mas nenhuma ficou presa. Todas poderão ser autuadas por receptação de material roubado. As fotos são de profissionais como Marc Ferrez, brasileiro que era fotógrafo oficial da família real e fez imagens de diversos pontos da então capital federal e também do interior do País; August Stahl, alemão que também registrou o Rio, entre 1855 e 1860, além de outros estados; Guilherme Liebenau, outro alemão, que percorreu as cidades históricas mineiras em 1855; e Benjamin Mullock, inglês que fotografou Salvador em 1862. As de Stahl têm relevância especial porque não existem cópias. Os itens levados ainda estão sendo levantados. O valor de cada uma no mercado ilegal é estimado em US$ 15 mil, de modo que o material completo supera US$ 2 milhões. Teme-se que, na ânsia de se livrar das provas do crime, os ladrões destruam as peças. A importância das fotos se deve ao fato de eles fazerem parte de um conjunto doado por dom Pedro II à nação, em seu testamento. Ele pediu que à coleção fosse dado o nome de sua mulher, a imperatriz Teresa Cristina, para que os brasileiros não se esquecessem dela. As fotos, do tamanho de uma folha de papel A4, ficavam em álbuns guardados num armário climatizado e só podiam ser exibidas em ocasiões especiais, como a chegada de delegações estrangeiras, ou por pesquisadores credenciados. Foi vista pela última vez pelos técnicos três meses atrás, antes do início da greve. Não se sabe se foram retiradas de uma só vez ou aos poucos.O sumiço só foi percebido na segunda-feira, por técnicos do setor de iconografia. Eles manuseavam o material pela primeira vez após a volta ao trabalho.

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