Recriar o ângulo de Sancho Pança

O que havia de tão atraente na figura do Lone Ranger?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2013 | 02h12

É um personagem mítico que fez o imaginário de gerações. No rádio, na TV, todo mundo adorava ver o justiceiro mascarado chamar seu cavalo, Hey-O, Silver. O chamado tinha alguma coisa de Tarzan.

Há muita coisa no seu filme que lembra Era Uma Vez no Oeste - a ferrovia, a heroína viúva, o cidadão respeitável que é vilão. Conhece o spaghetti western de Sergio Leone?

Se eu conheço? É um dos meus filmes preferidos. Sou capaz de recitar diálogos inteiros. Leone pegou a mitologia do gênero e a desmontou, internamente. Chego a começar meu filme na estação de trens, como ele. Foi uma grande referência, mas não a única. O western pode ter deixado de ser um gênero popular, mas está no nosso imaginário, falo dos norte-americanos.

John Ford é o Homero de vocês, não?

Claro, mas nosso western não é fordiano. Conversando com Johnny Depp, não foi difícil convencê-lo a fazer o papel de Tonto porque, como diz, ele queria mudar a visão que o americano médio tem dos índios como selvagens. É como se estivéssemos recontando a saga de Dom Quixote do ângulo de Sancho Pança.

Foram sete

meses de filmagem. E todo mundo diz que você já tinha o filme na cabeça.

Como é isso?

Jerry (Bruckheimer) gosta de dizer que sou capaz de dirigir ação e comédia, e isso não é frequente. Exige uma certa habilidade, e eu não sou mais hábil que os outros, mas me preparo. Ninguém faz um filme num dia. Gosto de chegar ao set e desfrutar a paisagem para posicionar a câmera, escolhendo o melhor ângulo. Mas assim como gosto de fazer leituras com os atores, acho que as grandes cenas exigem mais preparação, e para elas existe o storyboard. Seria muito complicado fazer a perseguição de trens sem esses cuidados. Poderia virar um caos. / L.C.M.

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