Record estréia a novela Cidadão Brasileiro

A tarefa da Record de implantar e consolidar um horário de novelas em sua grade foi fácil até aqui. Prova de Amor veio depois de duas boas estréias, Escrava Isaura e Essas Mulheres, e chegou para concorrer com Bang Bang, que, para os parâmetros globais, beira o fiasco. Mas agora é diferente. Cidadão Brasileiro, que estréia amanhã, será o segundo horário de novela da rede, irá ao ar a partir das 20h30 e vai concorrer diretamente com o Jornal Nacional e com Belíssima, folhetim de Silvio de Abreu que já é um grande sucesso. Para entrar nessa guerra, como a própria equipe vem chamando o desafio, a Record se equipou. Chamou Lauro César Muniz, autor de sucessos como Escalada (1975), Casarão (1976), O Salvador da Pátria (1989) e Aquarela do Brasil, que acumula mais de 30 anos de Globo, para comandar a nova empreitada. Também montou em Bragança Paulista, interior de São Paulo, uma cidade cenográfica de cerca de cinco mil metros quadrados. Como reforço, seduziu mais alguns globais para integrar seu elenco como Gracindo Júnior, Cleyde Yáconis, Tuca Andrada, Leonardo Brício, Paloma Duarte, Gabriel Braga Nunes e Cecil Thiré. ?Sabemos que temos um concorrente que tem uma história imbatível, mas acho que nossa tentativa é fundamental para o futuro da telenovela porque hoje em dia as novelas estão muito esquemáticas, muito facilitadoras?, diz o autor, fazendo coro à empolgação da equipe. E foi em seus grandes sucessos que Muniz buscou inspiração. ?Cidadão tem muito de Escalada e Casarão, mas não é uma novela antiga. Tem a dinâmica de hoje, mas a estética do começo da telenovela na década de 70.? Cidadão Brasileiro narra a trajetória de Antônio Maciel, papel de Gabriel Braga Nunes, que começa em 1955 quando o então comerciante é roubado por Fausta (Lucélia Santos) e se muda para Guará - interior paulista onde, aliás, Lauro César nasceu. É lá que Antônio, como bom mocinho que é, se divide entre dois amores: Carolina (Carla Regina), moça simples com quem se casa, e Luíza (Paloma Duarte), moça rica e seu verdadeiro amor. Em Guará, Antônio ganha popularidade e dinheiro com seu novo negócio, o algodão, e acaba se transformando no novo prefeito da cidade, derrotando o poderoso Atílio, personagem de Floriano Peixoto. Mas, com a queda do preço do algodão, Antônio perde tudo e se vê obrigado a deixar a cidade. Depois de passar por Brasília, chega a São Paulo, onde reencontra Fausta, que lhe dá a fortuna de seu falecido marido para ele comandar. Mas daí ele perde tudo de novo e volta para Guará. Reviravoltas não irão faltar na novela de Muniz. Isso porque o autor decidiu percorrer uma extensa linha do tempo. A trama, que começa em 1955, acaba exatamente nos dias de hoje. Para se ter uma idéia, nesse período, seu personagem principal, Antônio Maciel, se muda de São Paulo para Guará, de Guará para Brasília, de Brasília para São Paulo e de São Paulo, finalmente, para Guará. Fatos políticos nacionais importantes como a ditadura militar, a construção de Brasília e a guerrilha do Araguaia serão abordados com o passar dos anos. ErotismoHistórias paralelas como as das irmãs Maria e Mariazinha, Sônia Guedes e Etty Fraser, Toc-Toc e Gasosa, Xando Graça e André Valli, que irão parafrasear O Gordo e o Magro, devem divertir o espectador, mas no clipe com as primeiras cenas da novela exibido para a imprensa na última semana dois papéis se destacaram e devem gerar polêmica: o do menino Marcelo (Bruno Ferrari), irmão de Atílio e Luíza, e a da professora Teresa, papel de Luiza Tomé. Os dois terão um tórrido romance exemplificado com cenas para lá de calientes, algo inédito na pudica Record. ?A gente transa na vida, fazemos sexo de uma forma muito sincera e é assim que vamos mostrar. Sei que é muito constrangedor ver cena de sexo ao lado da sua filha de 8 anos, mas é realidade. E a nossa novela é real?, diz o diretor Flávio Colatrello, ex-Malhação. Real e muito parecida com as da Globo. Exceto por um detalhe: enquanto a Record gasta R$ 150 mil por capítulo, a Globo gasta R$ 200 mil. Resta saber se esses R$ 50 mil farão diferença na tela.

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