Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Reconstrução em Paraitinga

Cidade devastada por enchentes em 2009 começa hoje sua 4ª Semana da Canção Brasileira

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2011 | 00h00

É tempo de reconstrução em São Luiz do Paraitinga, quase dois anos depois da inundação que devastou o centro histórico da cidade. A Semana da Canção Brasileira, que volta em sua quarta edição, de hoje até domingo, reflete essa situação, depois da ausência em 2010, mais por falta de verba do que de condições da cidade para ser realizada. "É reconstrução, recomeço, reavaliação", diz Suzana Salles, cantora, idealizadora e curadora da Semana.

Com programação de shows concentrada no fim de semana, o palco principal, o Coreto Elpídio dos Santos, vai receber a banda Karnak (dia 16, sexta) e os compositores e cantores Geraldo Azevedo (dia 17, sábado) e Dominguinhos (dia 18, domingo).

As atividades, no entanto, começam hoje, como nas edições anteriores, com oficinas abertas ao público em novo espaço (no prédio da Assessoria de Educação da cidade) e outras específicas para professores e crianças, separadamente.

O músico e mestre Sergio Molina abre os trabalhos na sexta-feira, às 9 horas da manhã, com suas oficinas sobre Villa-Lobos, Chico Buarque, Clube da Esquina, o disco Fa-Tal, de Gal Costa, e a Vanguarda Paulistana. O músico Carlos Sandroni, à tarde, fala de samba hoje e amanhã. De quarta a sexta, o produtor e jornalista Zuza Homem de Mello dá oficinas sobre Elizeth Cardoso (dia 14), João Gilberto e Tom Jobim (15) e Edu Lobo (16).

Mesmo com orçamento apertado, Suzana garante a manutenção da qualidade. "O que acontece no Brasil é justamente isto: a qualidade supera qualquer problema de falta de dinheiro. Então, dá para achar e investir nessa parte. O que manteve São Luiz foi o essencial de cada um, a cultura que permaneceu intacta. O resto a água levou, sujou, conspurcou. O que me comoveu no ano passado foi ver a cidade em escombros e o povo lá, fazendo tapete de serragem e de cal. Isso é mais forte do qualquer enchente." Com isso, parte das atividades da Semana será em outros locais. "O eixo mudou um pouco para a rua do mercado", diz Suzana.

A Capela das Mercês, por exemplo, onde eram realizadas as aulas shows, está quase pronta e será reinaugurada no dia 25 de setembro, dia da padroeira. Entre os participantes das edições anteriores estão, além de Molina, o grupo de percussão corporal Barbatuques, Paulo Padilha, Tata Fernandes e Banda Mirim. Assídua na plateia dos shows e reverenciada pelo público em 2009, a compositora e cantora Leci Brandão desta vez vai fazer uma oficina cantada no dia 17 no Mercado Municipal. O compositor Wandi Doratiotto (ex-Premê), que foi apresentador do festival, também agora faz show com o violeiro Paulo Freire em palco novo, o do Coreto do Cruzeiro.

O Coretinho vai receber Camilo Frade, garoto prodígio de São Luiz, que reverbera bem os resultados da Semana da Canção, como ressalta Suzana. "O repertório dele reflete isso, as escolhas que ele faz, as composições dele, que foram classificadas em festivais da cidade. Ele vem crescendo junto à Semana desde os 9 anos de idade. Agora está com 13, fazendo shows pela região. É uma promessa."

O mesmo palco terá o projeto Passo Torto (Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Romulo Fróes) e o mineiro Pereira da Viola. "O nome dele é alegria, o sorriso dele é restaurador", diz Suzana sobre o violeiro de Minas. Como ela observa, "a tradição que ele carrega" tem tudo a ver com a cidade, que ficou comovida com um dos últimos shows de um conterrâneo de Pereira, o do cantor Pena Branca, morto em 2010. O cantor carioca Marcos Sacramento e a estrela ascendente paulistana Tulipa Ruiz cantam no Mercado Municipal, em torno do qual se concentram o maior número de atividades nesta edição do evento.

Para compensar a ausência do festival, do qual Leo Cavalcanti saiu vencedor na terceira edição, há uma programação de cinema, com quatro documentários sobre música brasileira. São eles Daquele Instante em Diante (sobre a vida e obra de Itamar Assumpção), de Rogério Velloso; Palavra Encantada (que trata da relação entre poesia e música), de Helena Solberg; O Milagre de Santa Luzia (um road movie sobre sanfoneiros do Brasil conduzido por Dominguinhos), de Sérgio Roizenblit; e Uma Noite em 67 (sobre o histórico festival da TV Record daquele ano), de Renato Terra e Ricardo Calil. Depois de cada exibição, no Mercado Municipal, de segunda a quinta, haverá debates com o público.

"O foco deste ano é mais forte na educação e na história da canção brasileira", diz Suzana. Zuza, além das oficinas, vai debater sobre um tema de cuja história é parte integrante: o dos festivais da Record. Roizenblit participa da conversa sobre O Milagre de Santa Luzia, e Sérgio Molina, que gravou com a cantora Miriam Maria um álbum de suas canções com letras de Itamar Assumpção (Sem Pensar Nem Pensar), debate sobre a trajetória do parceiro.

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