Recife recebe obra de Albert Eckhout

Em três ocasiões, o público brasileiro teve a oportunidade de descobrir a fascinante obra de Albert Eckhout, que veio ao País com Maurício de Nassau e, entre 1637 e 1644, registrou as primeiras imagens da terra e do povo brasileiros. Mas todas essas exposições (no Masp, em 1991, na Bienal de 1998 e na recente Mostra do Redescobrimento) exibiram apenas parte das 21 telas de autoria reconhecida, e sempre em São Paulo.Mas agora são grandes as chances de os recifenses verem em grande estilo a obra realizada na época de seus antepassados, que tornou-se um importante tesouro não apenas artístico, mas histórico e científico. Também está sendo estudada a possibidade de estender a mostra a Brasília, antes do retorno do acervo à Europa. E há ainda um projeto de elaboração de um extenso catálogo.Na semana passada, chegaram ao Brasil dois diretores do Museu Nacional da Dinamarca, Jorgen Nordqvist e Peter Penz, encarregados de verificar se há condições de se realizar uma megaexposição de Eckhout durante as comemorações dos 350 anos da batalha dos Guararapes (não deixa de ser estranho celebrar a derrota dos holandeses com a obra de um de seus mais eminentes representantes) e qual local seria mais adequado para sediar o evento. Três instituições da cidade estão pleiteando a honra de abrigar os retratos e naturezas-mortas do pintor: o Museu de Arte Moderna, o Terminal Marítimo - Praça Marco Zero e o Centro de Comércio e Indústria.Após visitas a todos os espaços, Nordqvist e Penz se reunirão com os demais representantes do museu para aprovar o projeto. O mais provável é que a comissão recomende algumas modificações no local escolhido para atender o rígido padrão museológico exigido pela Dinamarca, explicaram os especialistas em entrevista. O mesmo já ocorreu com o Masp, que teve de promover algumas reformas para abrigar a primeira mostra de Eckhout, em 1991.Nunca, nem mesmo na Dinamarca, todas as telas do artista - e que foram doadas por Maurício de Nassau, em 1654, a seu primo Frederico III da Dinamarca - foram exibidas ao mesmo tempo. Em parte por causa das suas grandes dimensões. Serão necessários três diferentes vôos para trazê-las e a impressionante Dança dos Tarairiu (atração da 24.ª Bienal) só pode ser transportada em um único tipo de avião.Segundo Jens Olensen, responsável por todas as incursões dos trabalhos de Eckhout no Brasil, a expectativa é de que 300 mil pessoas visitem a exposição no Recife e cerca de 65 mil em Brasília (onde a mostra deve ficar por tempo reduzido).Entre as telas que jamais estiveram no País estão os retratos masculinos, como o guerreiro negro, cuja espada também faz parte da coleção do museu dinamarquês. Mas são as naturezas-mortas que melhor simbolizam a importância do reencontro entre a obra de Eckhout e a cidade onde foi pintada. Além de retratar com impressionante fidelidade a riqueza da vegetação tropical, o pintor soube registrar como poucos o céu da capital do governo holandês no Brasil. "Quando estive no Recife pela primeira vez pensei: aí está o céu de Eckhout", conta Nordqvist.

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