Recife homenageia o mestre da HQ Don Rosa

Desde 1999, formou-se no Nordeste do Brasil um pólo de informação, intercâmbio e discussão da arte seqüencial no Brasil. É o Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco, cuja 6.ª edição será aberta hoje no Observatório Cultural Malakoff (Praça General Artur Oscar, sem número, Recife, tel. 81 3424-8704). O quadrinhista americano Keno Don Rosa, convidado de honra e principal homenageado, estará presente ao evento, que marca também a inauguração de uma exposição de seus trabalhos. Don Rosa ficou conhecido por resgatar a obra do lendário Carl Barks, criador de Tio Patinhas e da família Pato, e revitalizá-la, criando uma origem para o ranzinza e avarento quaquilionário de Patópolis. Ele presidirá a comissão julgadora que vai decidir os melhores trabalhos nas três principais categorias do festival: cartum, caricatura e história em quadrinhos.Depois de participar do festival pernambucano, Don Rosa virá a São Paulo a convite da distribuidora Buena Vista do Brasil. Explica-se: ele está trabalhando em uma nova história, a partir de referências do filme Você já Foi à Bahia?, em que o Zé Carioca - criado por Walt Disney em função da "política de boa vizinhança" entre Brasil e EUA nos anos 50 - aparece pela primeira vez. Segundo o artista, a imagem de malandro e vigarista, vigente nas histórias em quadrinhos, será abandonada. Ele prefere lançar mão de sua imagem original, de um malandro à moda antiga, meio mulherengo, meio artista frustrado.Outro importante convidado estrangeiro é a quadrinhista francesa Edith Grattery, vencedora em 1993 do prestigiado Festival de Angoulême, na França, com o terceiro volume da série protagonizada por Basil e Victoria, um casal de meninos de rua que vive suas aventuras numa Londres vitoriana. Edith também exporá parte de seus desenhos e fará palestras sobre seu método de trabalho. O festival traz ainda a exposição Humor Gráfico no Brasil - Primeiras Imagens, com exemplares das primeiras ocorrências dessa forma de manifestação artística no Brasil. Entre as raridades mostradas, estão uma ilustração publicada em 1831 no jornal O Carcundão e a imagem que ilustrou em 1832 o frontispício do jornal humorístico O Carapuceiro. Terão destaque na mesma mostra os trabalhos de Rafael Mender de Carvalho, Auguste Sisson, Henrique Fleuss, José Neves, Vera Cruz e Honorè Daumier.

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