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Receitas de humor

Cilada.com soma 2, 8 milhões de espectadores e outras comédias chegam às telas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2011 | 00h00

Cláudio Torres arrepende-se de haver colocado dois palavrões em A Mulher Invisível. Não é por pudicícia. "Minha mãe diz que não existe comédia bem-comportada" - sua mãe é a grande Fernanda Montenegro. Só que, no clima do filme, Torres chegou à conclusão de que os palavrões sobravam. Por via das dúvidas, em sua nova comédia - a grande promessa de blockbuster do cinema brasileiro no segundo semestre, O Homem do Futuro, com estreia prometida para dia 2 -, ele substituiu o que seria o único palavrão. Estava no roteiro, mas quando o ator disse fdp, a expressão feriu seus ouvidos e ele a substituiu por "canalha".

A Mulher Invisível, com 2,3 milhões de espectadores, é o maior sucesso de público de Cláudio Torres - "o único", ele corrige, bem-humorado. Com 3 milhões de espectadores, que deve completar este sábado, Cilada.com foi o estouro de bilheteria do ano, mas isso não é novidade na carreira do diretor José Alvarenga Jr., de Os Normais (1 e 2) e O Divã. Muitos críticos se queixaram das baixarias de Cilada.com. Não devem ter visto Quero Matar Meu Chefe, em que Jennifer Aniston faz uma ninfomaníaca capaz de corar o personagem de Bruno Mazzeo. Na sexta, estreia Onde Está a Felicidade?, do casal Carlos Alberto Riccelli/Bruna Lombardi. O humor está em alta no cinema brasileiro - mas quando esteve em baixa? A questão é que existe humor e humor. O Homem do Futuro é comédia romântica com toques de ficção científica. Cilada.com foi definido por muitos críticos como neopornochanchada. Alvarenga provoca - "São uns bundas-moles."

Até por suas múltiplas atividades na TV e no cinema, Alvarenga não teve tempo de conferir Quero Matar Meu Chefe - "Mas estou sabendo do filme, muita gente já me falou". Ele se interroga sobre o pudor dos críticos. "Em que mundo vivem?" Alvarenga nem busca reforçar a herança da chanchada no imaginário brasileiro. "As pessoas falam um monte de sacanagem no bar, no futebol. O teatro já incorporou isso, só não pode no cinema."

Um divisor de águas da comédia moderna para ele é Quem Vai Ficar com Mary?, dos irmãos Farrelly. "Há 13 anos, pouca gente percebeu que aquilo ali era uma revolução dos costumes. O cara se masturba e, ao ejacular, o esperma gruda nos cabelos da mulher." Para o diretor, a TV já faz há algum tempo esse papel de brincar com o sexo. "Era o tema de Os Normais e continua em Macho Man, que vai para segunda temporada. Jorge Fernando faz um personagem meio gay, meio hétero. Sobra para todo mundo."

Cilada.com é vulgar? "Acho a maior estupidez essa definição de neopornochanchada. Não tem nada a ver. É como se as pessoas não soubessem o que era pornochanchada. Não tem nada de ofensivo em Cilada.com, nada que as pessoas não digam o tempo todo e o fim é bem romântico", avalia o diretor. Esse tom romântico é o que interessa a Cláudio Torres em O Homem do Futuro - já era em A Mulher Invisível e se o filme ganhou conotação erótica foi por causa da protagonista feminina. "Ninguém segura a Luana (Piovani). Ela chega e, ao natural, o erotismo já está no ar."

Torres lembra como era gostoso nosso cinema. Um dos filmes que viu, adolescente (e que o marcou) foi Histórias Que Nossas Babás não Contavam. "Adele Fátima foi um dos objetos de desejo da minha geração." Ele consumia cartazes de filmes, "Vera Fischer em A Superfêmea, por exemplo." A safadeza "faz parte da nossa tradição", acrescenta e, mesmo assim, ele resiste ao palavrão. O casal Riccelli/Bruna aposta em outra direção. "Depois de fazer chorar em O Signo da Cidade, queria fazer rir. O humor, a alegria me levaram à felicidade, por meio dela, cheguei ao caminho de Santiago. É uma coisa espiritual", define Bruna.

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