REC-BEAT GANHA REFORÇO NA VERTENTE LATINA

Evento no Recife traz mais atrações inéditas da América do Sul e duas delas se apresentam antes em São Paulo

RECIFE, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2013 | 02h08

Certa vez, faz pouco tempo, o produtor Antônio Gutierrez (o Guti), mentor e diretor do Rec-Beat, disse que o festival estava muito marcado pela vertente latino-americana e que talvez mudasse um pouco de perfil. Que nada. E ainda bem que a tendência não se perdeu. A edição de 2013, que começa amanhã no Cais da Alfândega, no Recife Antigo, vem recheada de boas atrações inéditas da América do Sul. Entre elas estão o consagrado rapper venezuelano Mc Klopedia e o grupo colombiano Monsieur Periné, que se apresentam respectivamente hoje e amanhã, em São Paulo, dentro da série Sin Fronteras, do Sesc Vila Mariana.

Além deles, outros hermanos que fazem shows no Recife são o cantautor Juan Cicerol (México), que mescla música tradicional de seu país com folk, o músico Celso Duarte (Paraguai), um virtuoso da harpa, e Finlandia, duo formado pelo argentino Mauricio Candussi e pelo brasileiro Raphael Evangelista, que fundem eletrônica e instrumentos convencionais acústicos (cello, piano, acordeom) e ritmos como tango, bossa nova e baião. São oportunidades raras de conhecer melhor a boa música contemporânea do continente, que custa a chegar ao País.

"Para nós, o Brasil é uma referência musical essencial. Sua cultura musical é de certo modo culpada por esse grupo existir. Antes de tocar jazz manouche, interpretávamos música brasileira. A primeira música que Catalina cantou foi Corcovado", diz Santiago Prieto, produtor e instrumentista de várias cordas do septeto. "Por esse motivo há uma grande expectativa e sentimentos em relação a esses shows porque, por um lado, são oportunidades de conhecer e entender a música tradicional e moderna que se fez e se faz no Brasil."

A música do grupo - que canta em espanhol, francês, inglês e português e lançou um elogiado álbum de estreia, Hecho a Mano - é uma charmosa mescla de ritmos "retomados da França dos anos 1930 e 40", com influência nítida do jazzman Django Reinhart, mais swing cigano, bossa nova, cumbia e outros gêneros latino-americanos. Há quem diga que eles promovem uma reinvenção do swing, mas Prieto diz que seu estilo é "produto das casualidades da vida", a partir do compartilhamento de gostos musicais pelos integrantes do grupo.

"Acreditamos que na música vale a pena olhar para trás, investigar e conhecer a música do passado porque está cheia de vida, de sentimento, de qualidade", diz sobre o estilo vintage da banda. "E também vale a pena olhar para a frente, para os responsáveis pelas inovações sonoras e na música porque estabelecem novas formas de fazer e conhecer a arte do som. Desta maneira, quando se tem consciência do valor do velho e do novo, pode-se ter uma visão ampla e um critério para evitar cair na homogeneidade a que nos condena a música atual."

Entre os brasileiros, as principais atrações do Rec-Beat são Karina Buhr, BNegão e os Seletores de Frequência, Os Mulheres Negras, Mestre Vieira, Tulipa Ruiz e Céu, que encerra o festival na terça, como em 2011. A programação completa está no site http://recbeat.uol.com.br/recbeat2013/. / L.L.G.

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