Reatando laços

Secretário Municipal de Cultura, Juca Ferreira diz que vai buscar uma nova aproximação com o hip-hop

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2013 | 02h07

Depois de cinco anos, a Prefeitura de São Paulo ensaia reatar com o movimento hip-hop, relação estremecida desde 2007, quando houve uma confusão no show dos Racionais MC's na Virada Cultural, que culminou com quebradeira, 5 pessoas feridas, algumas detidas e violência.

O novo secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, disse que é chegada a hora da reaproximação, em entrevista na quinta-feira. Segundo ele, o início de uma nova era de relacionamento entre a Prefeitura e o gênero já teve um ensaio geral durante a festa de aniversário de São Paulo, no Anhangabaú, quando foram convidados Emicida e Criolo. "Recuperamos a presença do hip-hop, que estava meio proibido, estigmatizado, proscrito. E foi ótimo. Foi um dos momentos mais emocionantes da festa", afirmou Ferreira.

Segundo o secretário, o hino musical de Criolo, Não Existe Amor em SP, causou o que chama de "reação positiva" na sociedade, foi como se o rapper chacoalhasse as consciências. "Isso ficou tão evidente que uma multidão de 20 a 30 mil pessoas se reuniu na Praça Roosevelt recentemente sob o lema Existe Amor em SP, uma manifestação de amor espontânea e desinteressada por São Paulo", considera ainda.

"São Paulo vive um momento de redescoberta, as pessoas estão orgulhosas da cidade onde nasceram, onde vivem. Até os espaços públicos estão sendo disputados, como é o caso que se deu agora, por segmentos da população. Os skatistas, as mães com seus bebês. Considero que o papel do agente público é promover uma pactuação, o que pode ser feito agora no debate do novo Plano Diretor. Isso permite que a gente harmonize os diversos usos, sem conflitos, sem enfrentamentos."

Para o novo secretário, a criação de uma linha de apoio à atividade cultural de rua pode intensificar essa onda de autoestima. "É preciso ajudar para que a população recupere os espaços públicos", considera. "Aqui na São João, por exemplo: nas sextas-feiras à tarde, após o expediente, não tem nada para fazer. A única coisa é tomar cerveja, dentro e fora dos bares. Porque não ofertar atividades culturais que possam melhorar essa happy hour?", pergunta ele.

Esse olhar também deveria ser estendido à periferia, avalia. Segundo o dirigente, o prefeito Haddad já examina quatro terrenos, dois na zona leste e um na zona sul, para erguer novos centros culturais. Uma outra decisão é a de montar um sistema de gestão cultural por território, para garantir que haja uma programação e também a circulação de espetáculos e atividades. "Há muitos equipamentos, mas hoje cada um é tratado na sua singularidade e não se montam circuitos, não há itinerância de atividades."

Nas bibliotecas, o secretário estuda adotar um modelo semelhante ao chileno e colombiano, no qual a biblioteca também se assume como um centro cultural, com atividades de promoção da leitura e dos textos.

Juca Ferreira diz que, no bojo dessa revalorização da cidadania paulistana, vem também uma demanda por renovação em outros setores, como a política. Ele diz que se sente "absolutamente contemporâneo" em meio a esses embates, como as discussões com os "meninos da cultura digital", que integram a sua gestão.

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