Reação de Jorge Amado é "extremamente positiva"

O controle da infecção que atingia os pulmões e o fígado do escritor Jorge Amado animou familiares e a equipe médica do Hospital Aliança que cuida do escritor desde a quarta-feira, quando ele precisou ser internado por causa de uma crise de hiperglicemia, provocada por uma infecção urinária.Conforme o médico particular de Amado, o cardiologista Jadelson Andrade, a avaliação clínica e os exames laboratoriais realizados na manhã de hoje confirmaram que o processo infeccioso foi controlado com antibióticos. "Isso é um dado extremamente positivo", comemorou o médico, assinalando, contudo, que ainda existe uma série de fatores que merecem vigilância intensiva. "Por essa razão há a necessidade absoluta de mantê-lo na UTI cardíaca do hospital." Não existe qualquer previsão de alta do escritor.Em 1993, quando sofreu um infarto agudo do miocárdio, Amado passou dez dias internados no Aliança. Três anos depois, para se submeter a uma angioplastia para desobstrução de artéria coronária, o escritor precisou ficar mais 14 dias no hospital. Nesta época, Amado ainda pensava em escrever. Tinha dois projetos, um romance baseado nas aparições de Nossa Senhora, ambientado em Sergipe ou Alagoas, e uma novela que chegou até a escolher o título, Bóris, o Vermelho.Mesmo com uma grande deficiência visual, chegou a pensar em ditar os livros para alguém colocar no papel, mas o agravamento de sua saúde o fez cancelar os projetos. A inatividade causou uma forte depressão no escritor, que ao longo de 60 anos de vida literária escreveu 33 livros, editados em 52 países e criou mais de 500 personagens. Às vésperas de completar 89 anos (o aniversário é no dia 9 de agosto) Amado vivia recluso na sua casa no bairro do Rio Vermelho.Sua mulher Zélia Gattai informou que depois de um ano sofrendo de depressão, ultimamente Amado vinha melhorando com antidepressivos. "Já conversava mais, jogava cartas, estava bem melhor até que ocorreu o problema na quarta-feira", disse, após o marido ter superado mais um momento difícil, com o agravamento do seu estado no sábado, Zélia se mostrava confiante numa recuperação. "Quando eu cheguei no quarto, o médico perguntou: você não quer falar com a Zélia, não? E ele prontamente respondeu: quero." A neta Mariana que acompanhava Zélia achou "muito positivo", o fato do escritor estar começando a se comunicar.

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