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Raridades do Samba

No ano do centenário de Nelson Cavaquinho, disco duplo resgata sucessos e temas obscuros do autor

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2011 | 00h00

Se dependesse do pai de Nelson Antônio da Silva, o centenário de nascimento do filho teria sido comemorado em 2010. Tudo por que ele adulterou a idade do rebento para que ele pudesse ingressar com antecedência na Polícia Militar. Mas, não, Nelson Cavaquinho nasceu no dia 28 de outubro de 1911 e as justas homenagens para seus 100 anos começam a aparecer ainda neste primeiro semestre.

Neste domingo, seguindo o exemplo louvável da Vila Isabel, que ano passado prestou o devido tributo a seu maior poeta, Noel Rosa - e fugindo das gafes cometidas pela Mangueira, que se esqueceu do centenário de Cartola, em 2008, e por todas escolas de São Paulo, que ignoraram a efeméride de Adoniran Barbosa, em 2010 -, a Estação Primeira homenageará Nelson Cavaquinho na Sapucaí, com enredo cuja sinopse foi desenvolvida por gente do métier, como Beth Carvalho e o pesquisador e jornalista Sérgio Cabral.

Em termos fonográficos, a Lua Music anuncia para abril um disco com 20 temas de Nelson cantado por outros artistas.

Outra aula de como preservar o patrimônio cultural brasileiro acaba de ser dada pela EMI, com o lançamento de Nelson Cavaquinho - Degraus da Vida, disco duplo organizado por Rodrigo Faour. O primeiro álbum apresenta sucessos do compositor nascido na Rua Mariz e Barros, em São Cristóvão, cantados por seus maiores intérpretes, como Clara Nunes, Beth Carvalho, Roberto Silva, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira e Elza Soares.

Clássicos de Nelson Cavaquinho são sempre bem-vindos, mas o grande mérito da coletânea é ter garimpado raridades do compositor, algumas gravadas por apenas um intérprete em discos de 78 rotações, em LPs ou compactos. Entre os registros, feitos de 1954 a 1980, há temas já conhecidos, como Caridade (parceria com Ermínio do Vale) e Não Precisa me Humilhar (com Amado Régis) e mais outras doze joias do sambista que melhor soube tratar da tristeza, da morte e das tragédias amorosas em suas letras simples e suas melodias venenosas.

O álbum duplo tem o cuidado de apresentar o ano e os discos nos quais as composições foram originalmente gravadas e já chega às lojas como um verdadeiro documento histórico, revelando parceiros de Nelson que, com exceção de Guilherme de Brito, permanecem injustamente anônimos até os dias de hoje.

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