Raridades custam muito. Mas valem?

Se sair em CD ou mesmo em vinil, um título raro perde um pouco o valor, mas não muito. "Colecionador quer sempre o original", diz Marcelo di Giácomo, da Discomania (Rua Augusta, 560, tel. 3257-2925). Ele tem uma cópia de Louco por Você "em mau estado", valendo R$ 2.500. " O valor máximo que esse disco pode ter hoje bem conservado é de R$ 6 mil, mas ninguém paga isso. Vão pagar R$ 4 mil. Valer é uma coisa, pagar é outra. Há o preço virtual, o estimativo, o venal, o real. Fica subjetivo estipular um valor."

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

Outro dos álbuns brasileiros mais raros e caros é Paêbirú (1975), de Zé Ramalho e Lula Côrtes, que pode chegar a R$ 5 mil. O mesmo valor astronômico atinge Geração Bendita (1971), do obscuro grupo Spectrum. Cópias recentes desses discos, feitas na Europa, chegam a R$ 750,

O vinil original do clássico Coisas (1965), de Moacir Santos, é outro top de linha entre as raridades colecionáveis. Um exemplar em estado razoável de conservação está avaliado em torno de US$ 2.500 em sites de leilão internacionais. Até mesmo a edição oficial em CD já está fora de catálogo e um novo não se encontra por menos de US$ 70.

Preço condicionado. O disco nem precisa ser tão genial como o de Moacir para valer tanto. É o caso de Paêbirú e da trilha sonora do filme Brasil Ano 2000 (1969), de Rogério Duprat, com a voz de Gal Costa em quatro faixas, valendo até R$ 4 mil. A compilação Let Me Sing My Rock"n"Roll, feita pelo fã-clube de Raul Seixas, em série limitada de mil cópias numeradas custa R$ 2.500 na Baratos Afins (Av. São João, 439, 2.º andar, lojas 314/318, tel. 3223-3629).

"Esse nunca viu agulha", garante o proprietário Luiz Calanca. "Agora reeditaram Acabou Chorare, dos Novos Baianos por R$ 140. Acho caro, mas os clientes não chiaram porque já pagavam R$ 150 por um usado. Quando um disco sai em CD, ao contrário do que se pensa, o vinil valoriza mais, porque instiga quem gosta de música a ir atrás do original", avalia. Muitos desses discos não valem tanto, mas como alguém estipula um preço alto, "fica condicionado", diz Calanca.

Com o novo modismo do vinil e o declínio da venda de CDs, além do fetiche dos colecionadores sérios, os bolachões continuam em alta. As bolachinhas também. Há compactos mais caros do que os LPs, como é o caso de O"Seis (leia ao lado). O que Jô Soares gravou em 1963 com o rock Vampiro vale R$ 2 mil na Discomania. "É o mais raro, não pela qualidade musical", diz Giácomo. O primeiro de Gal Costa (com Sim, Foi Você, de Caetano Veloso e Eu Vim da Bahia, de Gilberto Gil), quando ainda assinava Maria da Graça, é avaliado em R$ 300. Se alguém vai pagar por isso é outra questão.

O MAIS CARO

O compacto de O"Seis (pré-Mutantes), com as canções Suicida e Apocalipse, é talvez o disco brasileiro mais valioso. Um original raro, de 1966, foi vendido por US$ 5 mil (R$ 8,365 mil pela cotação de ontem) para um americano da Califórnia, como comprovado no documentário Beyond Ipanema, de Béco Dranoff e Guto Barra. Cópias não autorizadas feitas recentemente nos EUA, com razoável qualidade de som, encontram-se à venda no Mercado Livre por R$ 190.

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