Rap de responsa

Álbum inédito, documentário e filme resgatam o legado de Sabotage, um dos maiores rappers do País, assassinado há uma década

CARLOS EDUARDO OLIVEIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h06

Apesar de muito afeito aos amigos, Sabotage sempre foi de andar sozinho. Mas, no início de 2003, radicalizou. Andava estranho, taciturno, afastado. Não queria ninguém por perto. Recusava até mesmo as tradicionais caronas que o levavam de regiões 'do lado rico da cidade', onde circulava com desenvoltura, de volta à violenta comunidade do Canão, na zona sul paulistana, onde morava. Parecia prever algo. Talvez por isso, aproveitou para descarregar em estúdio todas as letras que comporiam seu novo disco, sucessor do seminal Rap é Compromisso, colocando voz guia e algumas bases em quase todas elas.

No dia 24 de janeiro, terminou tragicamente assassinado a tiros - e com isso a MPB perdia um dos maiores (o maior?) MCs que já viu surgir. Agora, esse material inédito integra o projeto Maestro do Canão, título do CD que vem sendo produzido por um time de amigos e ex-parceiros - o trabalho será lançado ainda em 2012. O culto ao rapper não para aí: um documentário e um longa-metragem, este dirigido por Walter Carvalho, de Raul - O Início, o Fim e o Meio, também ajudarão a entender sua obra e carreira meteórica que pregou como nenhum outro a responsabilidade do rapper em seu ofício, mas que transcendeu a marra sisuda do gênero ao dialogar com outras frentes, inclusive com o rock. E que, com participações carismáticas em filmes como O Invasor, de Beto Brant, e Carandiru, de Hector Babenco, tornou-se conhecido por um público maior, fora do casulo musical.

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